Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas: Resistência Cultural
Políticas públicas do MinC reafirmam o protagonismo nativo, o vínculo com o território e a cultura como resposta às urgências climáticas e sociais do país

No dia 7 de fevereiro de 2026, o Brasil celebra o Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas, uma data que simboliza a resistência e a defesa dos direitos dos povos originários. Este dia enfatiza a relevância dos indígenas na formação histórica, cultural e social do país, além de ressaltar a necessidade urgente de políticas públicas que reconheçam e respeitem essa diversidade cultural.
O Ministério da Cultura (MinC) tem se dedicado a implementar ações que valorizam as culturas indígenas e promovem o protagonismo dos povos nativos. Essas políticas são fundamentais para a preservação da memória e da vida cultural, além de dialogarem com as questões ambientais.
Um dos eventos mais significativos dessa agenda é a sexta edição da Teia Nacional dos Pontos de Cultura, que ocorrerá entre os dias 24 e 29 de março de 2026, pela primeira vez em território indígena, no município de Aracruz, Espírito Santo. Este local é historicamente ocupado pelas etnias Tupiniquim e Guarani e é o único município do estado com Terras Indígenas demarcadas, abrigando 12 aldeias e a maior população indígena do Espírito Santo.
Márcia Rollemberg, secretária de Cidadania e Diversidade Cultural, enfatiza que a realização da Teia em Aracruz reafirma a importância do território e do protagonismo indígena na política cultural do MinC. Ará Martins, consultora do MinC, complementa que a escolha desse território é um gesto simbólico que valoriza os povos originários, enquanto Jucelino Tupiniquim destaca a oportunidade da Teia para fortalecer o reconhecimento das práticas ancestrais e o território Tupiniquim e Guarani.
Assim, o território de Aracruz não é apenas um cenário, mas um protagonista no diálogo cultural e na luta pela valorização das culturas indígenas no Brasil.
Atualizado há menos de 1 hora
Jucelino Tupiniquim, consultor do MinC e liderança indígena em Aracruz, acredita que a Teia Nacional fortalece o reconhecimento do território Tupiniquim e Guarani e as práticas ancestrais que sempre fizeram parte da vida comunitária, mas que hoje enfrentam desafios impostos por um histórico intenso de industrialização no entorno das aldeias. Segundo ele, o território está entre os mais impactados pela presença de grandes empreendimentos industriais no país, o que provocou, ao longo do século XX, perdas ambientais e um distanciamento forçado das práticas culturais tradicionais. 'Nós estamos em um território brasileiro muito afetado pela indústria, cercados por pelo menos 36 empreendimentos que impactam direta e indiretamente o território. Isso muitas vezes provoca o distanciamento dos indivíduos das suas próprias características culturais', explica.
