Dia da Bicicleta: Desafios de Infraestrutura no Rio de Janeiro
Comemoração do Dia Mundial da Bicicleta destaca a necessidade urgente de melhorias na infraestrutura cicloviária e igualdade no transporte na cidade.

Hoje, 3 de junho de 2026, celebramos o Dia Mundial da Bicicleta, uma data que vai além de reconhecer a importância da bicicleta como meio de transporte sustentável. Este dia nos leva a refletir sobre a infraestrutura cicloviária no Rio de Janeiro. A professora Andrea Santos, do Programa de Engenharia de Transportes da Coppe, da UFRJ, avaliou a situação atual. Ela enfatiza a urgência de investimentos para expandir e adequar a malha cicloviária da cidade.
"Isso envolve a questão da segurança no uso da bicicleta", destaca Andrea. "Para que a malha cicloviária avance, é fundamental lidar com as vulnerabilidades da segurança na cidade." Críticas surgem em relação à equidade e justiça climática, especialmente no que diz respeito ao plano de mobilidade urbana sustentável e à proposta de expansão cicloviária. "O que está sendo pensado em termos de política pública para promover esse meio de transporte?", questiona.
Na prática, Andrea observa várias deficiências, como a lenta expansão e falhas no planejamento urbano. Ela critica a priorização das ciclovias em áreas nobres, que beneficiam principalmente o turismo e as classes A e B do Rio. "Falta investimento nas áreas periféricas, onde a necessidade de um transporte sustentável por bicicleta é ainda maior", aponta. "Não podemos nos limitar a criar infraestrutura que seja apenas atrativa para turistas e moradores da zona sul. Existem desafios significativos a serem enfrentados na implementação dessas políticas cicloviárias na cidade."
A Prefeitura do Rio de Janeiro, ao ser procurada pela Agência Brasil, ainda não se manifestou sobre o assunto. Vale lembrar que as primeiras ciclovias do Rio foram inauguradas em 1991, como parte do projeto de reurbanização da orla, conhecido como Rio Orla. Esse primeiro trecho conectava a Avenida Atlântica, em Copacabana, à Pedra do Leme, e a malha cicloviária foi ampliada em 1992, durante a Eco-92, quando a cidade começou a adotar infraestruturas voltadas à mobilidade sustentável.
Andrea também enfatiza a importância da educação e conscientização dos usuários das ciclovias, incluindo aqueles que utilizam bicicletas elétricas e ciclomotores. "É essencial contar com a colaboração da sociedade para reduzir as mortes no trânsito", conclui a professora.
Por fim, o escritor argentino Juan Carlos Kriemer, ciclista há 76 anos, defende o ciclismo urbano como "o cavalo de batalha universal da mobilidade sustentável".
