Dez países da UE criticam regras de carbono que ameaçam indústrias
Na véspera de uma cimeira europeia importante, 10 países da UE intensificaram os ataques à política climática do bloco, avisando que o sistema atual está a prejudicar a indústria. Apelam a uma abordagem mais lenta e flexível para proteger a competitividade e prosseguir a transição ecológica.

Na quarta-feira, dez países da União Europeia manifestaram sua preocupação à Comissão Europeia sobre a urgência de revisar o Sistema de Comércio de Emissões (CELE). Eles argumentam que o modelo atual representa um "risco existencial" para setores industriais essenciais. Essa informação foi revelada em uma carta que a Euronews teve acesso. Os líderes da Áustria, Chéquia, Croácia, Grécia, Hungria, Itália, Polônia, Romênia e Eslováquia assinaram a mensagem, solicitando que o executivo da UE estenda as licenças de carbono gratuitas além de 2034. Segundo eles, a não prorrogação pode dificultar a competitividade das indústrias. A carta reflete um compromisso da indústria em se adaptar e inovar, mas destaca que, somado aos altos preços da energia e à eliminação gradual das licenças de emissão gratuitas do CELE, o cenário atual se tornou uma ameaça séria para muitos setores industriais estratégicos na Europa. Com a reunião dos líderes da UE em Bruxelas se aproximando, a pressão sobre a Comissão para revisar o CELE está aumentando, especialmente em meio à crise energética provocada pela guerra no Irã. Dentro da UE, as opiniões estão divididas: alguns países defendem o fim do mercado de carbono, outros propõem alterações, enquanto há aqueles que preferem mantê-lo. O apelo na carta foi lançado logo após a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, manifestar apoio ao mercado de carbono, considerando-o essencial para a redução das emissões e financiamento de tecnologias limpas. No entanto, essa visão diverge das expectativas das indústrias de energia intensiva, que se manifestaram em favor do CELE durante uma cimeira industrial em Antuérpia no mês passado. Os dez países também argumentam que o mercado de carbono da UE está avançando rapidamente, pressionando empresas que já enfrentam os desafios da alta dos preços da energia e da inflação persistente. Eles alertam que essa situação representa uma ameaça crescente ao núcleo industrial da Europa e, consequentemente, à força econômica do continente. "Os preços da energia dispararam, a inflação tornou os investimentos necessários para a transição ainda mais onerosos, e as soluções atuais de descarbonização ainda não estão suficientemente amadurecidas para garantir a viabilidade econômica das indústrias de difícil descarbonização", afirmam na carta. Após a cúpula informal da UE em Alden Biesen, Ursula von der Leyen e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, confirmaram que o bloco apresentará "opções" na reunião do Conselho Europeu na quinta-feira. Contudo, ressaltaram a "complexidade do problema": os preços da eletricidade estão interligados ao gás natural, e qualquer alteração no sistema envolve uma série de fatores, como impostos nacionais, taxas de rede e o próprio CELE. A carta dos dez países delineia suas principais exigências para evitar que a situação se agrave.


