Desinformação Climática: Ameaça à Saúde Pública em 2026

Organizações de saúde alertam sobre os riscos da desinformação climática, destacando sua influência negativa nas políticas de saúde e clima em 2026.

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Desinformação Climática: Ameaça à Saúde Pública em 2026
Reprodução Redes Sociais

Estado-membros da OMS estão sendo convocados a reconhecer a desinformação climática como uma séria ameaça à saúde pública, especialmente em um momento em que interesses enraizados se esforçam para “semear dúvida e confusão”. Um conjunto de organizações de saúde e da sociedade civil fez um apelo a 194 países, enfatizando a importância de incorporar a integridade da informação nas políticas de clima e saúde, além de nas estratégias de preparação e resposta. Esse pedido se tornou ainda mais relevante após a histórica declaração, apoiada pela União Europeia, que visa combater notícias falsas e teorias da conspiração, apresentada na cimeira COP30 em Belém no ano passado. Um novo relatório intitulado “Protecting Health in the Age of Climate Disinformation” marca um passo significativo, sendo a primeira vez que a comunidade da saúde aborda o impacto da desinformação climática na saúde humana em escala global. Esse fenômeno não só fragiliza avisos de emergência e orientações de saúde pública, mas também atrasa políticas essenciais relacionadas à poluição do ar, energias limpas e combustíveis fósseis. O relatório, elaborado pelo Grupo de Trabalho da Sociedade Civil da OMS sobre Clima e Saúde, defende que um “ambiente informativo mais saudável” é fundamental para garantir justiça climática, saúde pública e o direito a um futuro saudável. A desinformação climática refere-se à disseminação intencional de informações falsas ou enganosas sobre as alterações climáticas e as ações necessárias para combatê-las. Isso abrange desde a negação do aquecimento global até teorias conspiratórias. É importante distinguir a desinformação da má informação climática. Esta última é caracterizada por informações falsas ou fora de contexto que são apresentadas como se fossem fatos, embora não carregue a mesma intenção maliciosa. Entretanto, as consequências podem ser igualmente perigosas. O relatório apresenta vários estudos de caso que mostram como a desinformação climática interage com desigualdades e estruturas de poder já existentes. Um exemplo impactante ocorreu após os incêndios de 2023 em Maui, onde circularam nas redes sociais relatos falsos de que residentes que buscassem ajuda em situações de catástrofe poderiam ter suas propriedades confiscadas pela Federal Emergency Management Agency (FEMA). Embora as verificações de fatos tenham desmentido essa afirmação, o rumor teve o potencial de desestimular os sobreviventes de procurarem apoio exatamente quando mais precisavam de abrigo, assistência financeira, cuidados médicos e serviços de recuperação. O relatório destaca: “Num cenário de catástrofe, a má informação não é apenas confusa; ela pode diretamente impedir o acesso a apoio vital e estabilizador.” Na Europa, políticas voltadas para a qualidade do ar, como as zonas de baixas emissões, que visam reduzir a exposição das pessoas à poluição do tráfego, frequentemente se tornam alvo de narrativas enganosas. O debate em torno da Zona de Ultra Baixas Emissões de Londres (ULEZ), que impõe uma taxa sobre veículos que não atendem às normas de emissões, tem incluído preocupações sobre acessibilidade e implementação, especialmente para famílias de baixa renda, trabalhadores, pequenas empresas e pessoas que dependem de transporte para suas atividades diárias.

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