Desigualdade Salarial: Pessoas com Deficiência Ganham 70% Menos
Dados do Censo 2022 revelam que trabalhadores com deficiência recebem apenas 70% do salário de seus colegas sem deficiência, evidenciando uma grave desigualdade no mercado de trabalho.
© Paulo Pinto/Agência Brasil
O rendimento médio dos trabalhadores com deficiência é de R$ 2.053, representando cerca de 70% do que ganham, em média, aqueles sem deficiência, que é de R$ 2.890. Esses dados são do Censo 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e foram divulgados nesta sexta-feira, 18 de setembro de 2026.
Na prática, a situação é clara: em todos os setores econômicos analisados, as pessoas com deficiência ganham menos em comparação às que não possuem deficiência. Além disso, elas estão majoritariamente inseridas em ocupações que oferecem remunerações mais baixas, como serviços domésticos, agropecuária e áreas de alojamento e alimentação. O pesquisador do IBGE, João Hallak Neto, destaca essa realidade preocupante.
Por outro lado, o setor de administração pública, educação, saúde e serviços sociais é onde se encontram os melhores salários. Aqui, as pessoas com deficiência recebem em média R$ 3.223, o que equivale a cerca de 78% do que os trabalhadores sem deficiência ganham, que é de R$ 4.146.
Quando olhamos para os lares que têm alguém com deficiência, a renda proveniente do trabalho representa 55,7% do rendimento total da família. Em contrapartida, nos lares sem membros com deficiência, essa proporção sobe para 78,4%, mostrando uma dependência maior de outras fontes de renda, que correspondem a 21,6%.
O nível de ocupação entre as pessoas com deficiência é alarmantemente baixo, apenas 29%. Em termos práticos, isso significa que apenas três em cada dez indivíduos em idade ativa estão empregados. Para efeito de comparação, o nível de ocupação entre pessoas sem deficiência chega a 55,8%, quase o dobro.
De acordo com o Censo 2022, 13,71 milhões de pessoas em idade de trabalhar apresentavam alguma deficiência, e entre elas, apenas 3,97 milhões estavam empregadas. A pesquisa também revelou que as pessoas com dificuldades relacionadas a limitações nas funções mentais têm o menor nível de ocupação, com apenas 12,9%.
Outras dificuldades que resultam em baixos índices de ocupação incluem a dificuldade de caminhar ou subir degraus (17,2%) e a dificuldade em pegar objetos pequenos (17,7%). Para aqueles que enfrentam múltiplas dificuldades, o nível de ocupação é de 15,6%. Em contraste, os grupos com maior taxa de ocupação são os que têm dificuldade de enxergar (35,9%) e de ouvir (27,5%).
Quando analisamos esses dados por sexo e cor ou raça, notamos que homens e mulheres pretos ou pardos têm um nível de ocupação superior ao dos brancos: 36% para homens pretos e pardos contra 34,6% dos brancos; entre as mulheres, 25,6% das pretas ou pardas estão ocupadas, enquanto entre as brancas o número cai para 22,7%. Essa tendência se inverte entre aqueles sem deficiência, onde o nível de ocupação é maior entre os brancos.
