Desenrola 3.0 e Proibição das Bets: Impactos nos Bancos Brasileiros
Medidas do governo podem aliviar o endividamento, mas atenção é necessária; saiba como isso afeta o setor financeiro.
29/09/2026, 10h18
Atualizado há 41 minutos
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Na véspera das eleições, o governo federal anunciou duas medidas que podem trazer um alívio significativo para os bancos brasileiros, em um momento em que a preocupação com o endividamento das famílias está nas alturas: o Desenrola Brasil 3.0 e a proibição das plataformas de apostas online.
De acordo com analistas do Goldman Sachs, JPMorgan, UBS BB e Bradesco BBI, essas iniciativas têm o potencial de beneficiar o setor financeiro, embora atuem de maneiras diferentes e com impactos variados entre as instituições. O novo Desenrola, por exemplo, é visto pelo BBI como uma evolução em relação à versão anterior. O foco agora está em créditos que já foram considerados prejuízos, o que pode atenuar os efeitos negativos relacionados à formação de provisões.
Por outro lado, a proibição das apostas pode liberar uma parte da renda familiar que antes era destinada a essas atividades, o que, segundo os analistas, poderia melhorar a capacidade de pagamento dos consumidores.
O UBS BB faz uma análise direta e considera as duas medidas “ligeiramente positivas” para os bancos. O Goldman Sachs ressalta que instituições com maior exposição a cartões de crédito e empréstimos pessoais sem garantia podem ser as mais beneficiadas. O JPMorgan, embora concorde com essa perspectiva positiva, levanta a questão de se uma nova rodada de renegociação poderá gerar efeitos mais duradouros sobre a inadimplência.
Em relação ao Desenrola, o Bradesco BBI vê a terceira versão como ainda mais vantajosa para os bancos do que as anteriores, e prevê impactos significativos para instituições como Nubank (BDR: ROXO34) e Inter (BDR: INBR32).
O Desenrola 3.0 traz uma mudança importante no mecanismo adotado anteriormente. Ao invés de apenas incentivar a renegociação de dívidas entre bancos e clientes, o novo modelo foca na aquisição de carteiras de créditos inadimplentes dos credores.
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Com essa medida, o Ministério da Fazenda poderá contar com o Banco do Brasil (BBAS3) ou a Caixa Econômica Federal para estruturar e administrar o veículo responsável pela compra das carteiras. O governo estabeleceu um limite de gastos de R$ 15 bilhões, com as operações precisando ter um desconto de pelo menos 90%. Assim, o Bradesco BBI estima que o valor de face das carteiras adquiridas possa chegar a cerca de R$ 150 bilhões.
Lançada às vésperas das eleições, essa medida prevê a compra pelo governo de carteiras de débitos de até R$ 10 mil.
As dívidas que podem ser adquiridas precisam estar vencidas há mais de 720 dias, mas menos de 1.645 dias, o que corresponde a um intervalo de cerca de dois a quatro anos e meio. Além disso, cada dívida não poderá exceder o montante de R$ 10 mil. Embora a medida provisória já esteja em vigor, sua implementação ainda depende da regulamentação do Ministério da Fazenda, que vai definir as regras e os requisitos do programa. Segundo o BBI, a expectativa do governo é que tudo comece a funcionar em novembro.
Para o Goldman Sachs, o novo modelo oferece aos bancos uma forma rápida de lidar com créditos que...