Desenrola 2.0: Mais Endividados Apoiam Programa do que Lula
Pesquisa Datafolha mostra que 68% dos endividados veem benefícios no Desenrola 2.0, superando a aprovação do governo Lula.
A nova rodada do Desenrola 2.0 está gerando um impacto político significativo, indo além da avaliação do governo Lula. Uma pesquisa do Datafolha, divulgada nesta sexta-feira, 22 de maio de 2026, revela que o programa de renegociação de dívidas conquistou um nível de apoio que supera a taxa de aprovação do presidente entre os brasileiros endividados, que são o público principal da iniciativa.
De acordo com o levantamento, 68% das pessoas com dívidas acreditam que serão beneficiadas diretamente por essa segunda edição do programa. Em contraste, apenas 46% desse mesmo grupo aprovam o trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e apenas 31% classificam seu governo como ótimo ou bom.
Além disso, a pesquisa indica que a visão positiva sobre o programa se estende até aqueles que atualmente demonstram resistência ao governo. Entre os brasileiros sem dívidas, 39% acreditam que também podem tirar proveito dessa medida, e 73% veem um impacto positivo para a economia.
O Desenrola 2.0 foi lançado pelo governo no dia 4 de maio e terá duração de 90 dias. Essa nova fase oferece descontos de até 90% sobre débitos bancários e juros limitados a 1,99% ao mês. O programa é destinado a pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos, que atualmente equivalem a R$ 8.105. Até o momento, segundo informações do governo, cerca de R$ 10 bilhões em dívidas bancárias já foram renegociados.
Para viabilizar essa operação, o Planalto autorizou um aporte de até R$ 15 bilhões no Fundo de Garantia de Operações (FGO), administrado pelo Banco do Brasil. Esse fundo serve para proteger as instituições financeiras em casos de inadimplência nas renegociações. Além disso, os trabalhadores poderão usar até 20% do saldo do FGTS, ou até R$ 1 mil — prevalecendo o maior valor — para quitar ou reduzir dívidas renegociadas. Vale mencionar que a liberação desse mecanismo só começará no dia 25 de maio, algumas semanas após o lançamento oficial do programa.
Os dados do Datafolha também mostram que o ambiente econômico pressiona o orçamento das famílias brasileiras. Atualmente, 47% dos entrevistados afirmam ter algum tipo de dívida, incluindo cartão de crédito, financiamentos, cheque especial e empréstimos. Dentro desse grupo, 62% relatam já estar inadimplentes, com contas ou parcelas atrasadas. O endividamento é mais acentuado entre brasileiros de 25 a 34 anos, moradores de regiões metropolitanas e aqueles que se identificam como evangélicos.
Dados do Banco Central corroboram esse quadro. O comprometimento das famílias com dívidas atingiu 49,9% da renda em fevereiro, um novo recorde desde o início da série histórica em 2005. A inadimplência chegou a 5,3% em março. Um levantamento da Serasa revela que o Brasil tem atualmente 83,3 milhões de pessoas com restrições de crédito. As maiores porções das dívidas estão concentradas em bancos, contas essenciais como água e energia, financeiras e serviços.
O relançamento do Desenrola faz parte de uma estratégia mais ampla do governo para aumentar a circulação de crédito, estimular o consumo e melhorar a percepção econômica, especialmente às vésperas da disputa presidencial de 2026. Nos bastidores do Planalto, auxiliares estão atentos a esses movimentos.