
Desemprego no Brasil: Acomodação em Níveis Historicamente Baixos
Especialistas dizem que dos do IBGE dão sinais -- ainda incipientes -- de acomodação na margem, consistente com uma economia sob efeito contracionista de juros elevados
Reprodução do Instagram do Ministério do Trabalho/@mintrabalhoeemprego)
O mercado de trabalho no Brasil começa a mostrar os primeiros sinais de acomodação. Após meses em que os dados de desemprego atingiram recordes, uma análise dos economistas sobre os números da PNAD, divulgados pelo IBGE, revela algumas nuances interessantes. A taxa de desocupação subiu para 5,8% no trimestre que terminou em fevereiro de 2026. Isso representa um aumento em relação aos 5,2% registrados entre setembro e novembro de 2025. No entanto, ao observar o período de dezembro de 2024 a fevereiro de 2025, houve uma queda de 1,0 ponto percentual, já que naquela época a taxa era de 6,8%. Os economistas ressaltam que, mesmo com essa acomodação, o setor continua robusto. A população ocupada permanece próxima de seus níveis máximos, e há estabilidade tanto na população subocupada quanto naqueles que estão desalentados. O rendimento real, por sua vez, teve um crescimento de 2% neste último trimestre, enquanto a massa de rendimento se manteve estável. É interessante notar que setores menos cíclicos, como o de informação e comunicação, continuam a gerar novos postos de trabalho. Contudo, a alta taxa de juros parece ter reduzido o dinamismo do mercado. As previsões apontam que a taxa de desocupação deve fechar o ano em 5,5%. Assim, apesar dos sinais de acomodação, o mercado de trabalho ainda desempenha um papel fundamental na atividade econômica. A renda das famílias está sustentando o consumo, mas isso, por outro lado, mantém uma pressão sobre a inflação dos serviços. A análise sugere que a piora no desemprego é mais relacionada a fatores sazonais do que a uma mudança estrutural mais profunda.