Desconfiança dos Jovens em Líderes de IA Cresce nos EUA
Uma nova pesquisa revela que a maioria dos jovens americanos teme o impacto da inteligência artificial em suas carreiras e não confia nos líderes do setor.
As vaias direcionadas a executivos de tecnologia durante formaturas nos Estados Unidos revelam uma clara inquietação entre os jovens: muitos veem a inteligência artificial (IA) como uma ameaça. Recentemente, uma pesquisa trouxe à tona que a maioria dos jovens estadunidenses, especialmente aqueles entre 18 e 34 anos, nutre desconfiança em relação aos líderes do setor e teme o impacto da tecnologia em suas próprias carreiras.
Esse levantamento, realizado pela CNBC em parceria com a Generation Labs, ouviu 1.088 pessoas dessa faixa etária. Os resultados mostraram que todos os executivos associados à corrida pela IA apresentaram um saldo negativo de confiança. O ponto aqui é que a rejeição ultrapassa os 70% para figuras como Elon Musk, Mark Zuckerberg e Sam Altman. Além disso, 45% dos jovens entrevistados acreditam que a IA terá um efeito adverso em suas vidas profissionais.
A pesquisa focou na confiança que os jovens depositam em executivos do setor de IA, e, surpreendentemente, nenhum deles conseguiu conquistar uma opinião positiva. Os dados mais alarmantes foram relacionados a Alex Karp, CEO da Palantir, com 81% dos respondentes afirmando não confiar nele. Peter Thiel, presidente do conselho da empresa, também ficou com uma avaliação negativa. Logo atrás, Dario Amodei, CEO da Anthropic, registrou 76%.
Esse desconforto com a IA não é novidade. Já se manifestava nas cerimônias de formatura. Um exemplo marcante foi a vaia ao ex-CEO do Google, Eric Schmidt, na Universidade do Arizona, onde ele falava sobre os avanços tecnológicos. Recentemente, o atual CEO Sundar Pichai também enfrentou uma situação semelhante em Stanford, onde muitos estudantes se retiraram da cerimônia em protesto contra os contratos da empresa com governos, especialmente os que envolvem IA.
As preocupações dos jovens se entrelaçam com suas percepções políticas. O levantamento da CNBC indica que 78% dos entrevistados consideram a economia do país como “ruim”, “muito ruim” ou “não poderia ser pior”. Quando se trata de infraestrutura de IA, a resistência é notória: 60% dos jovens defendem uma desaceleração na construção de novos data centers, enquanto apenas 15% acreditam que esses projetos devem ser acelerados. Para muitos, o avanço da IA traz à tona questões sobre a escala física e econômica necessária para sustentá-la. Os data centers, fundamentais para a expansão da IA generativa, têm gerado críticas, especialmente de ambientalistas, devido ao elevado consumo de água e energia.
Além disso, o impacto é sentido por quem consome eletrônicos comuns. Com muitas fábricas de semicondutores voltando sua produção para atender à demanda dos novos centros, os preços de peças e dispositivos do dia a dia estão subindo consideravelmente.
No total, os investimentos das grandes empresas de tecnologia em infraestrutura devem ultrapassar a marca de US$ 700 bilhões, algo em torno de R$ 3,5 trilhões. Essa realidade levanta questões importantes sobre o futuro da tecnologia e seu papel na vida dos jovens.


