Descoberta de Petróleo: Petrobras Anuncia Nova Vitória na Margem Equatorial
Petrobras revela nova descoberta de petróleo no poço Morpho, reforçando as expectativas sobre a Bacia da Foz do Amazonas em 2026.
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
A Petrobras anunciou recentemente uma nova descoberta de petróleo no poço Morpho, situado a 175 quilômetros da costa do Amapá, na Margem Equatorial. O comunicado foi feito na manhã desta sexta-feira, 2 de outubro de 2026. Vale lembrar que a anterior descoberta havia ocorrido em meados de agosto deste ano.
Detalhes da Descoberta
O poço, identificado como 1-BRSA-1405-APS, encontra-se em águas ultra profundas, com uma lâmina d’água de impressionantes 2.886 metros, na bacia da Foz do Amazonas. Essa região é vista como a nova fronteira exploratória de petróleo e, por isso, é muitas vezes chamada de “novo pré-sal”, refletindo o grande potencial que se espera encontrar ali. As descobertas recentes na Guiana e no Suriname têm alimentado essa expectativa otimista.
Após a descoberta em agosto, a Petrobras decidiu continuar a perfuração com o intuito de explorar intervalos mais profundos. A confirmação da segunda descoberta veio através de perfis elétricos, indícios em rochas e amostras de fluidos coletadas durante as operações.
“A descoberta amplia nosso entendimento sobre o potencial exploratório da área e fornecerá dados adicionais para avaliar os sistemas petrolíferos e o potencial de recursos da Bacia Sedimentar da Foz do Amazonas”, destacou a empresa em sua nota oficial.
Qualidade do Petróleo e Análises Futuras
A qualidade do petróleo encontrado em agosto já foi confirmada como “boa”, e agora a amostra da nova descoberta passará por análises laboratoriais. As atividades de perfuração no Morpho continuam com o objetivo de avaliar as formações identificadas.
A Petrobras enfatiza que a exploração no bloco Foz da Amazônia (FZA-M-59) está em linha com sua estratégia de longo prazo, que visa recompor as reservas de petróleo e gás em novas fronteiras, contribuindo assim para o suprimento da demanda energética do Brasil.
É importante ressaltar que, em relação ao pré-sal na costa da região Sudeste, as reservas estão previstas para entrar em declínio na próxima década, caso não sejam feitas novas descobertas.
Histórico da Licença de Exploração
A busca pela licença de exploração começou em 2013, quando a petrolífera britânica BP venceu a licitação da área. Estratégicamente, a BP transferiu a concessão para a Petrobras em 2021. A autorização para perfurar na Margem Equatorial foi concedida em outubro de 2025 pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que é vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Esse processo gerou um embate entre empresas do setor e ambientalistas, que expressaram preocupações sobre os impactos da exploração. A Petrobras, por sua vez, defende que suas perfurações são realizadas de maneira segura, respeitando o meio ambiente e as comunidades locais.
Magda Chambriard, a presidente da companhia, ressalta que, apesar do nome Foz do Amazonas, o local da descoberta está a 540 quilômetros da foz do rio. Um estudo realizado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, estima que o volume potencial total recuperável da Bacia da Foz do Amazonas pode alcançar até 1.
Atualizado há 11 horas
Durante a coletiva de imprensa, a presidente exibiu uma amostra de óleo extraída do poço Morpho. Perguntada sobre a qualidade do achado, ela afirmou ser “maravilhoso” e de baixa viscosidade. O grau API exato, que mede leveza e densidade do óleo, e outros detalhes técnicos estão sob sigilo regulatório. No mercado de refino, quanto maior a leveza e menor a densidade, maior é o valor comercial do óleo.
A conclusão dos testes e manobras no poço Morpho deve continuar até o final de outubro. Em seguida, a sonda será desmobilizada e enviada para o Rio Grande do Norte, para perfurar o prospecto Mãe de Ouro, na Bacia Potiguar, em novembro.
Na segunda-feira (28), o Ministério Público Federal (MPF) voltou a pedir na Justiça a suspensão da licença ambiental concedida à Petrobras para explorar petróleo na bacia da Foz do Amazonas. A ação, protocolada no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), pede a paralisação imediata de qualquer atividade de perfuração ou teste no bloco marítimo FZA-M-59. O MPF argumenta que fatos recentes comprovam a insegurança da atividade na região, como o vazamento de mais de 18 mil litros de fluido químico no mar na operação de uma sonda em janeiro deste ano.
