Desafios de crédito e burocracia afetam negócios nas favelas do Rio

Desafios de crédito e burocracia afetam negócios nas favelas do Rio

Com quase 40% dos moradores empreendendo, falta de capital e formalização impedem crescimento em favelas cariocas.

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Reprodução Redes Sociais

03/11/2026, 14h09 - Atualizado em 03/11/2026, 14h09

Quase 40% dos moradores de favelas do Rio de Janeiro estão à frente de seus próprios negócios. Contudo, transformar esses empreendimentos em empresas robustas que consigam crescer ainda representa um grande desafio.

De acordo com uma pesquisa do Instituto Data Favela, que ouviu 1.674 moradores, 55% dos participantes mencionaram a falta de capital como uma das principais barreiras. Para aqueles que buscaram financiamento, a situação é ainda mais complicada: 66% relataram dificuldades em obter crédito.

“Falta, de fato, colocar o dinheiro na mesa”, destacou Cléo Santana, sócia-diretora da Escola de Negócios da Favela e CEO do Data Favela.

Ela trouxe essa questão à tona durante a terceira edição do Fórum Extra Favelas, que ocorreu nesta terça-feira (3) na Editora Globo. Segundo Cléo, muitos empreendedores já possuem produtos e serviços prontos, mas esbarram na falta de financiamento, informações adequadas e contatos necessários para expandir suas atividades.

Além disso, a informalidade agrava o quadro. O levantamento revelou que 57% dos empreendedores entrevistados não possuíam CNPJ. Essa falta de formalização dificulta o acesso a linhas de crédito, a possibilidade de fornecer para empresas maiores e, consequentemente, a ampliação das operações.

Contudo, o apoio necessário não deve se restringir à simples oferta de empréstimos. Carla Panisset, gerente de Empreendedorismo Social do Sebrae Rio, enfatiza a importância de considerar o estágio de cada negócio. É fundamental conectar empreendedores a instituições de apoio, aceleradoras e agentes de crédito. Enquanto alguns podem precisar de orientação e estrutura para dar o primeiro passo, outros já estão prontos para explorar novos mercados.

O presidente da Câmara Municipal do Rio, Carlo Caiado, defendeu a redução da burocracia para a formalização de pequenos negócios. Ele acredita que facilitar a entrada na economia formal pode proporcionar uma oportunidade para que empreendimentos menores ampliem suas atividades. Por outro lado, José Luciano dos Santos, sócio-diretor da Revelog Ambiental, destacou as oportunidades que existem na reciclagem e na economia circular, onde resíduos podem ser transformados em produtos comercializáveis.

A discussão também ressaltou a necessidade de reconhecer os empreendedores das comunidades como agentes econômicos, e não apenas como beneficiários de projetos sociais. Para Cléo, o verdadeiro desafio é garantir que esses negócios tenham acesso a recursos e oportunidades que lhes permitam competir e crescer.

A terceira edição do Fórum Extra Favelas reuniu representantes do poder público, empreendedores e organizações sociais para explorar caminhos que possam ampliar a atividade econômica nas comunidades cariocas.

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