
Desafios das Empresas na Adoção de IA em 2026
Estudo revela que, apesar do investimento em inteligência artificial, empresas enfrentam barreiras na regulamentação e treinamento de equipes.
Reprodução Redes Sociais
29 de agosto de 2026, 09:47
Atualizado há 16 horas
A corrida das empresas em direção à inteligência artificial (IA) está em pleno andamento, mas muitas ainda enfrentam dificuldades com questões fundamentais: quem pode realmente utilizar essa tecnologia, para quais propósitos, sob quais regulamentações e com qual nível de treinamento?
Essas questões são abordadas na pesquisa “RH Digital & IA 2026”, conduzida pela Alina, uma plataforma que combina gestão de pessoas com inteligência artificial e people analytics.
O estudo entrevistou 51 empresas de diversos tamanhos e setores, principalmente através de executivos de alto nível e diretores. Aproximadamente 20% das empresas participantes têm mais de mil funcionários.
Os resultados revelam que 86% dessas organizações consideram essencial ampliar o uso de IA em 2026. No entanto, somente 29% têm políticas claras sobre como utilizar essa tecnologia, e 45% afirmam ter uma estratégia definida para implementar a digitalização em seus processos.
É alarmante notar que apenas 10% acreditam que suas equipes possuem conhecimento avançado para lidar com essas inovações.
Quando analisamos o incentivo e a preparação, a discrepância se torna ainda mais clara. Três em cada quatro empresas (75%) encorajam seus colaboradores a adotarem a IA. Contudo, apenas 39% afirmam que seus funcionários sabem como e onde aplicar essa tecnologia.
“O avanço da IA é inegável”, destaca Marcel Hwa, CEO da Alina. “No entanto, os dados mostram que é vital transformar essa prioridade declarada em políticas concretas que orientem o uso da tecnologia, preparem as equipes e estabeleçam critérios claros para sua aplicação.”
Essa falta de alinhamento não se limita apenas ao conhecimento dos colaboradores.
Embora 76% das empresas relatem que mais da metade dos líderes utiliza IA, apenas 41% têm um orçamento específico destinado ao uso da tecnologia por parte dos colaboradores. E apenas 24% medem ativamente seu uso.
O treinamento, por sua vez, está longe de ser uma realidade universal. Somente 43% das empresas oferecem capacitação específica em IA, enquanto 63% identificam a falta de conhecimento como a principal barreira à adoção.
Assim, a pesquisa pinta um quadro de uma tecnologia que rapidamente se insere na rotina corporativa, enquanto a estrutura necessária para gerenciá-la ainda está em construção.
Uma outra pesquisa, realizada pela Hashtag Treinamentos com 5.569 profissionais, reforça esse cenário ao mostrar que apenas 20,6% dos trabalhadores percebem um investimento claro em IA nas organizações em que estão inseridos. Outros 20,4% afirmaram ter acesso a ferramentas, mas sem o devido treinamento, e 13,1% relataram apenas receber capacitações pontuais.
Embora as metodologias e os públicos dessas pesquisas sejam diferentes, é evidente que ambas apontam para a mesma lacuna: a discrepância entre disponibilizar tecnologia e preparar as pessoas para utilizá-la de maneira eficaz.
“Há uma diferença crucial entre simplesmente disponibilizar ou incentivar o uso de uma tecnologia e criar as condições necessárias para que ela realmente produza resultados”, conclui Hwa.
