Desaceleração da Economia: Serviços Abaixo das Expectativas em 2026
Setor de serviços apresenta queda em agosto, evidenciando uma desaceleração econômica no terceiro trimestre de 2026, conforme dados do IBGE.
14/10/2026, 13h37 Atualizado em 14/10/2026, 13h37
Em agosto, o desempenho do setor de serviços no país ficou aquém das expectativas. O volume total de serviços prestados mostra uma certa acomodação e uma perda de fôlego, embora ainda se mantenha em níveis elevados. Enquanto algumas atividades continuam a apresentar um desempenho mais positivo, sustentadas por um mercado de trabalho apertado, outras já começam a sentir os efeitos dos juros altos e o aumento dos custos devido à alta dos combustíveis. Na prática, o indicador cheio de serviços demonstra estabilidade em um cenário geral de esfriamento econômico observado no terceiro trimestre.
De acordo com a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de serviços prestados caiu 0,1% em agosto, em comparação a julho. Vale lembrar que, em julho, o resultado foi classificado como estabilidade (0%). Esse recuo representa o maior registrado para um mês de agosto desde 2024, quando houve uma queda de 0,4%.
O desempenho ficou aquém da mediana das estimativas de 21 consultorias e instituições financeiras consultadas pelo VALOR DATA, que previam um crescimento de 0,4%. As projeções variavam entre uma queda de 0,5% e um aumento de 1,3%.
Na comparação com agosto de 2025, o indicador registrou uma alta de 0,6%, também abaixo das expectativas. A expectativa mediana do mercado, segundo o VALOR DATA, era de um crescimento de 1,3%. Ao analisarmos os últimos 12 meses até agosto, o resultado é um aumento de 2,2%. No acumulado até agosto de 2026, a expansão é de 1,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A mensagem geral sobre o desempenho do setor de serviços em agosto é clara: há uma desaceleração da economia, conforme ressalta Alexandre Maluf, economista da XP. “O setor não está mais compensando a fraqueza observada em outros segmentos. Embora um mercado de trabalho ainda apertado e a renda real elevada devam continuar favorecendo os serviços voltados às famílias no curto prazo, os juros altos e o crescente peso da dívida das famílias são fatores contrários importantes que impactam o consumo.”
Com o resultado de agosto, Maluf aponta que a herança estatística para o terceiro trimestre de 2026 ficou em estabilidade, ou seja, 0%. Isso indica uma desaceleração em relação ao ganho de 0,4% registrado no segundo trimestre, quando comparado aos três meses anteriores.
Rodolpho Tobler, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), observa que o setor de serviços, que vinha crescendo de forma consistente nos últimos anos e até mesmo no início de 2026, começou a perder um pouco de fôlego e inicia o segundo semestre em um ritmo mais moderado. “A desaceleração reflete a política monetária, que demorou a ter um impacto maior nos serviços, graças a alguns estímulos que possibilitaram reações positivas na economia. Não estamos falando de uma queda acentuada nos serviços, mas de uma desaceleração que ainda se mantém em um patamar bastante elevado.”
Conforme a PMS, com o desempenho de agosto, os serviços estão 19,9% acima do nível pré-pandemia, que era registrado em fevereiro de 2020, e apenas 0,3% abaixo do patamar recorde da série histórica da pesquisa.
