Deputados questionam Rubio sobre apoio a Flávio Bolsonaro

Grupo de parlamentares busca esclarecer papel do governo dos EUA na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil e sua entrada no país.

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30/10/2026, 13h44 Atualizado em 30/10/2026, 13h46

Um grupo de deputados democratas dos Estados Unidos enviou uma carta ao secretário Marco Rubio, exigindo esclarecimentos sobre a possível facilitação pelo Departamento de Estado da saída do senador brasileiro Flávio Bolsonaro do Brasil e sua entrada nos EUA.

"A questão central é simples e clara: O Departamento de Estado, a Embaixada dos EUA no Brasil ou qualquer outra agência do governo americano ajudaram o senador Bolsonaro a viajar para os Estados Unidos ou a entrar no país, mesmo diante de uma suposta restrição judicial brasileira que impedia sua saída?", questionam os parlamentares na carta.

Se essa assistência realmente ocorreu, os deputados afirmam que o Congresso precisa entender todos os detalhes: o que foi oferecido, quem autorizou, quando isso aconteceu e quais informações estavam disponíveis para as autoridades dos EUA na ocasião.

Assinada por 25 deputados, a carta requer uma resposta até o dia 13 de novembro. Além disso, eles pedem que o Departamento de Estado disponibilize funcionários para uma reunião de briefing com a equipe do Congresso durante esse período.

"O povo americano e o Congresso têm um interesse legítimo em entender se os recursos diplomáticos e de imigração dos EUA foram usados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira em circunstâncias tão delicadas. A transparência é especialmente crucial quando os eventos mencionados envolvem um processo judicial em outro país, relações bilaterais sensíveis e a aplicação consistente das políticas de imigração e diplomáticas dos EUA", destacam.

Os congressistas expressam uma preocupação particular com a informação de que um alto funcionário do Departamento de Estado teria declarado que os Estados Unidos emitiriam vistos para Flávio Bolsonaro e sua família, permitindo sua entrada no país.

Na terça-feira, pouco antes da chegada de Flávio aos EUA, uma autoridade do governo Trump informou que o Departamento de Estado concederia vistos para o senador, sua esposa e suas duas filhas, permitindo que eles entrassem no país. No entanto, a fonte não detalhou a categoria do visto nem a duração dessa permissão.

Flávio chegou aos EUA na quarta-feira com uma classe de admissão do tipo "DT", que se refere a "parole", ou "liberdade condicional". Essa permissão é concedida de forma discricionária pelas autoridades para que a pessoa possa entrar e residir temporariamente nos EUA, geralmente por motivos humanitários urgentes ou por um benefício público significativo.

Ontem, uma reportagem do The New York Times revelou que Jason Miller, membro da equipe de comunicações da Casa Branca, teria providenciado o jato particular que transportou Flávio e sua família da Argentina até Miami.

Vale lembrar que o passaporte de Flávio foi cancelado antes de sua entrada nos EUA, a pedido do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após ele não ter devolvido o documento no prazo estipulado pela Corte.

"Esses desdobramentos levantam questões significativas sobre o processo de tomada de decisão do Departamento de Estado e suas implicações", concluem os deputados.

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