Em 2026, a Itália enfrenta um aumento alarmante na dependência digital entre adolescentes. Dados recentes do Istituto Superiore di Sanità, apresentados pela organização "Con i Bambini", indicam que cerca de 100.000 jovens entre 15 e 18 anos estão em risco de vício nas redes sociais. Além disso, meio milhão de jovens lida com problemas relacionados ao vício em jogos online. A Associação de Alerta Social, Movimento Ética Digital, revela que 77% dos adolescentes italianos se consideram viciados em dispositivos digitais, reconhecendo esse comportamento como problemático, mas sem recursos adequados para mudança.
Pobreza Educativa e Dificuldades nas Relações
A "Con i Bambini", que já financiou mais de 800 projetos em todo o país através do Fundo Nacional de Luta contra a Pobreza Educativa das Crianças, monitora essa questão há tempos. Um estudo da organização aponta que a pobreza educativa e problemas de relacionamento são fatores-chave na dependência digital. "Mais de 75% dos adolescentes isolados e viciados em redes sociais e jogos têm relações disfuncionais ou ausentes com os pais", afirma Simona Rotondi, responsável pelas atividades institucionais da organização, em entrevista à Euronews.
Debate sobre Restrições: "Proibir não é a Solução"
Essa preocupação é global e gerou um debate internacional. Em uma resolução aprovada em novembro de 2025, o Parlamento Europeu sugeriu que a idade mínima para acesso às redes sociais fosse fixada em 16 anos. França e Itália consideram leis para proibir o uso dessas plataformas por menores de 15 anos, enquanto uma proposta semelhante está em discussão na Espanha e já foi aprovada em Portugal. "Embora a legislação seja necessária, ela sozinha não é suficiente", enfatiza Rotondi. "A proibição pode oferecer controle, mas não resolve o problema cultural que afeta nossas famílias e filhos. O foco deve ser educativo. Devemos incentivar um envolvimento mais significativo com a vida real, reconectando as crianças com o mundo ao seu redor."
Pais Alarmados, Jovens Conscientes
O alerta parte em grande parte dos pais. Um levantamento da "Con i Bambini", em parceria com o Instituto Demopolis, revelou que 83% dos adultos italianos estão preocupados com a dependência dos adolescentes em relação à Internet, smartphones e tablets. "Estamos apreensivos, mas não sabemos como restringir o uso do celular pelos nossos filhos. Precisamos de apoio das instituições e das escolas para nos ajudar nesse desafio", relatam muitos pais.