
Déficit primário do setor público atinge R$ 55,3 bilhões em junho
Dados do Banco Central revelam que o déficit primário do setor público em junho de 2026 superou expectativas, destacando desafios financeiros.
Raphael Ribeiro/BCB)
O setor público consolidado, que abrange o governo central, Estados, municípios e estatais (exceto Petrobras e Eletrobras), registrou um déficit primário de R$ 55,313 bilhões em junho de 2026. Esse valor foi divulgado pelo Banco Central (BC) nesta sexta-feira, 31 de julho, e representa uma leve melhora em relação ao déficit de R$ 56,131 bilhões registrado em maio. Para contextualizar, em junho de 2025, o resultado já era negativo, totalizando R$ 47,091 bilhões.
É importante notar que o déficit primário deste mês ficou acima da mediana das previsões da pesquisa Projeções Broadcast, que era de R$ 49,300 bilhões. As estimativas variavam entre R$ 42,000 bilhões e R$ 56,400 bilhões, todas apontando para um resultado negativo. Este é o maior déficit registrado para o mês de junho desde 2021, quando o valor alcançou R$ 65,508 bilhões.
Focando no governo central, que inclui o Tesouro Nacional, o BC e o INSS, o déficit primário foi de R$ 55,169 bilhões, segundo a metodologia da autoridade monetária. Os Estados e municípios enfrentaram um resultado negativo de R$ 1,236 bilhão, ao passo que as empresas estatais conseguiram um superávit de R$ 273 milhões. Detalhando os números, os Estados apresentaram um déficit de R$ 956 milhões e os municípios, um déficit de R$ 280 milhões.
No acumulado do ano, o setor público consolidado obteve um superávit primário de R$ 80,196 bilhões de janeiro a junho de 2026, conforme o Banco Central. Esse total representa 1,20% do Produto Interno Bruto (PIB). O resultado é impulsionado por um superávit primário de R$ 93,375 bilhões nas contas do governo central, equivalente a 1,40% do PIB, e um superávit de R$ 22,061 bilhões nos governos regionais, ou 0,33% do PIB. As empresas estatais, por outro lado, acumulam um déficit de R$ 8,882 bilhões, representando 0,13% do PIB.
Por último, vale destacar que, no acumulado de janeiro a junho, os Estados conseguiram um superávit de R$ 11,864 bilhões (0,18% do PIB), enquanto os municípios também apresentaram um saldo positivo de R$ 10,196 bilhões (0,15% do PIB).