Déficit nos Fundos de Pensão Cresce, Mas Resultado é Positivo

Déficit nos Fundos de Pensão Cresce, Mas Resultado é Positivo

Apesar do aumento no número de planos deficitários, o setor de fundos de pensão no Brasil apresenta saldo positivo de R$ 19,2 bilhões até junho de 2026.

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Reprodução Redes Sociais

O cenário dos fundos de pensão brasileiros apresentou um crescimento preocupante no número de planos deficitários no primeiro semestre de 2026, revertendo a leve queda observada no ano anterior. Apesar dessa alta, o sistema ainda se mantém com um saldo positivo de R$ 19,2 bilhões, que surge da diferença entre os planos que apresentam superávits e aqueles que estão em déficit.

O déficit totalizou R$ 22,2 bilhões em junho, um aumento em relação aos R$ 20,9 bilhões registrados em dezembro, o que representa uma alta de 6,2%. Durante o mesmo período, o número de planos deficitários saltou de 138 para 184, um crescimento de 33,3%. Esses dados foram divulgados nesta quarta-feira (14) pela Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp).

Por outro lado, os planos superavitários também mostraram crescimento no primeiro semestre, com o saldo passando de R$ 38,3 bilhões para R$ 41,4 bilhões – uma alta de 8,1%. O número de planos que apresentam superávits subiu de 360 para 415. Esse desempenho resultou em um saldo positivo maior em comparação aos R$ 17,4 bilhões registrados ao final de 2025.

É importante ressaltar que esse aumento no número de planos deficitários interrompe a tendência de melhora vivida em 2025, quando os déficits haviam caído de R$ 30,5 bilhões para R$ 20,9 bilhões. Mesmo com essa recente alta, o total de déficits ainda está aquém dos números de 2024 e muito distante dos R$ 53,4 bilhões contabilizados em 2021. O número de entidades com planos deficitários também aumentou, passando de 73 no final do ano passado para 84 em junho.

Os dados indicam que os déficits estão concentrados em um número relativamente pequeno de planos. Apenas dez deles representam 67% do total de déficits, enquanto outros 20 planos concentram mais 20%. Os restantes 154 planos somam apenas 13% dos valores negativos.

No que diz respeito ao patrimônio total dos fundos de pensão, esse atingiu R$ 1,438 trilhão em junho, comparado a R$ 1,374 trilhão no final de 2025. Em uma análise mais ampla, ao longo de uma década, os ativos cresceram 82% em termos nominais. Porém, mesmo com essa expansão, a participação dos fundos na economia permanece estagnada em cerca de 11% do Produto Interno Bruto (PIB) desde 2024, após ter alcançado 14% em 2019 e 2020.

Conforme os dados da Abrapp, a rentabilidade dos fundos de pensão ficou abaixo da referência atuarial no primeiro semestre. O retorno foi estimado em 5,92%, enquanto a referência era de 6,42%, resultando em uma diferença de 0,50 ponto percentual. Além disso, esse desempenho foi inferior ao CDI, que acumulou 6,84% no mesmo período.

Em uma coletiva de imprensa realizada para apresentar o 47º Congresso Brasileiro da Previdência Complementar, que ocorrerá entre os dias 21 e 23 de outubro, o diretor-presidente da Abrapp, Devanir Silva, não forneceu uma explicação específica para o desempenho aquém do esperado no semestre. No entanto, ele expressou otimismo ao afirmar que a expectativa é que a meta seja superada até o final do ano. A associação projeta uma rentabilidade de 14% para 2026, considerando uma referência atuarial estimada em torno de 12%.

Vale lembrar que, em 2025, os fundos também haviam apresentado um desempenho abaixo do CDI, com uma rentabilidade de 13,45%, em comparação aos 14,33% do indicador. No entanto, naquele ano, o retorno superou a referência atuarial de 9,25%.

Assim, o resultado do primeiro semestre traz à tona desafios e expectativas para o futuro dos fundos de pensão no Brasil.

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