Deezer: Músicas de IA Superam Novos Lançamentos em 2026
Mais de 50% das faixas diárias na Deezer são criadas por inteligência artificial, revelando um novo cenário musical e suas implicações.
Mais da metade das músicas enviadas diariamente à Deezer é agora produzida inteiramente por inteligência artificial. Esse número ultrapassou os 50% pela primeira vez em junho de 2026, quando a plataforma começou a receber, em média, 90 mil faixas sintéticas a cada dia. Em resposta a esse crescimento acelerado, a empresa anunciou, nesta terça-feira, 21 de julho de 2026, que começará a remover sistematicamente músicas que tenham sido utilizadas em fraudes de reprodução, além de conteúdos que não registraram nenhuma execução nos últimos seis meses ou mais.
O ponto aqui é que, segundo a Deezer, essa medida visa conter a manipulação do número de reproduções e evitar que essa prática prejudique os valores destinados a artistas e compositores. “Temos a tecnologia para acompanhar essa evolução”, comentou o CEO da empresa, Alexis Lanternier. O aumento das músicas geradas por IA já levanta preocupações no setor. Uma pesquisa realizada em novembro do ano passado, encomendada pela Deezer à consultoria Ipsos, revelou que a maioria dos participantes não conseguiu diferenciar as músicas criadas por inteligência artificial das composições humanas.
Em um comunicado, a Deezer informou que identificou mais de 13,4 milhões de faixas geradas por IA ao longo de 2025. No entanto, essas músicas ainda representam uma fração pequena do consumo total na plataforma, correspondendo a apenas 1% a 3% das reproduções. Uma das razões para isso, segundo a empresa, é a exclusão automática das faixas sintéticas dos algoritmos de recomendação e das playlists editoriais. Os dados indicam que uma parte significativa dos envios em massa visa manipular o número de reproduções e gerar receita de forma irregular. Em 2025, até 85% dos streams de músicas totalmente produzidas por inteligência artificial foram classificados como fraudulentos. No catálogo geral, essa manipulação representou 8% das reproduções no mesmo período.
A Deezer desmonetiza todos os streams identificados como falsos e retira esses valores do fundo global de royalties. Apesar disso, não é raro que algumas faixas sintéticas se tornem virais nas redes sociais. Um exemplo disso foi em 2025 com “Sina de Ophélia”, uma versão de “The Fate of Ophelia” da cantora Taylor Swift, e “A Million Colors”, a primeira música inteiramente de IA a entrar no Top 50 do TikTok.
Desde o ano passado, a Deezer opera um sistema de detecção que busca artefatos sonoros deixados por modelos generativos como Suno e Udio. A precisão desse sistema é de impressionantes 99,8%. Além disso, a tecnologia começou a ser licenciada comercialmente para outras organizações do setor. Entre as entidades que utilizam esse sistema estão a revista Billboard, na validação de suas paradas musicais, e a sociedade francesa de direitos autorais Sacem. De acordo com a Deezer, 80% dos entrevistados na pesquisa da Ipsos apoiaram a identificação obrigatória de conteúdos sintéticos, e 52% acreditam que faixas de IA não deveriam aparecer nos rankings das músicas mais ouvidas.
