Da Periferia ao Palco: A Transformação Através dos Pontos de Cultura
Explore como os Pontos de Cultura moldam a trajetória de artistas no Brasil, promovendo inclusão e novas oportunidades em 2026.

Em um país em constante evolução no acesso à cultura, os Pontos de Cultura se destacam como espaços fundamentais para a formação artística e cidadã. No Distrito Federal, há 198 pontos e pontões reconhecidos que desempenham um papel crucial na descoberta de talentos, no fortalecimento de identidades e na criação de novas oportunidades para jovens artistas que, anteriormente, não se viam representados.
A história de Matheus Nascimento, do Espaço Inventado, ilustra como o primeiro contato com um Ponto de Cultura pode ser transformador. "Meu primeiro contato com o espaço foi em uma roda de capoeira. Fiquei encantado; parecia que tinha atravessado um portal. Desde então, entrei no grupo de capoeira, me envolvi com eventos e pessoas do espaço e da Vila Cobra Coral. O que começou como um ponto de encontro, hoje é minha casa", compartilha.
A vivência nesse espaço transcende a cultura; é um processo de formação artística e construção de identidade. "É um local de muitas experiências, um ponto de encontro para vários artistas. Aqui, estou desenvolvendo meu trabalho de vida na fotografia, registrando os movimentos e saberes da cultura afro-brasileira", explica Matheus.
Entretanto, sua fala também revela um desafio persistente: a profissionalização na cultura. "Ainda estou 'tateando' o caminho da profissionalização. É possível ser um profissional da cultura, mas essa não é a realidade para todos. Faço isso pela importância que tem para a memória local. Estou tentando identificar esse caminho profissional", reflete.
Apesar das complexidades, Matheus considera o papel dos Pontos de Cultura fundamental. "É necessário ter espaços para a prática artística, para aprender e conhecer quem veio antes de você. Os Pontos de Cultura permitem a formação e a descoberta de novos artistas, principalmente em termos de autodescoberta. Muitas pessoas não sabem que podem ganhar dinheiro com cultura, ou que podem ser artistas", destaca.
Essa dimensão de descoberta e transformação é evidente na atuação do coletivo Distrito Drag, representado por Ruth Venceremos, produtora cultural e cofundadora. Criado em 2017, o grupo nasceu de uma construção coletiva que se conecta com a rede Cultura Viva. "O Distrito Drag é fruto de uma construção coletiva entre artistas e ativistas do DF. Desde o começo, mantemos laços com outros coletivos e Pontos de Cultura, pois acreditamos que fortalecer a cultura passa por construir redes", afirma.
