Cyrela (CYRE3) sobe 3% com venda de ativos; dividendos em vista
A valorização das ações da Cyrela reflete a venda de R$ 2,14 bilhões em ativos, que pode aumentar dividendos e flexibilidade financeira.

As ações da Cyrela (CYRE3) estão em alta nesta quinta-feira, 6 de agosto de 2026. Os investidores estão repercutindo a recente assinatura de um acordo preliminar que envolve a venda de um portfólio de ativos imobiliários não residenciais ao fundo TRXF11 e à gestora TRX. Essa operação foi avaliada em aproximadamente R$ 2,14 bilhões, podendo chegar a R$ 2,2 bilhões, dependendo do cumprimento de certas condições.
Por volta das 10h30, horário de Brasília, os papéis da construtora apresentavam uma valorização de 3,42%, cotados a R$ 22,36, destacando-se como um dos pontos positivos do Ibovespa.
Segundo análises do Goldman Sachs, essa transação é vista como uma boa estratégia, pois permite que a Cyrela converta ativos não estratégicos que geram renda em capital, aumentando a flexibilidade financeira da empresa. O pagamento da operação será feito de forma equitativa, entre dinheiro e cotas do TRX.
Entretanto, mesmo com essa avaliação favorável, o Goldman Sachs observa que a Cyrela ainda não revelou como pretende utilizar os recursos que entraram em caixa, nem o prazo que pretende manter a participação recebida em ações do TRX.
O JPMorgan, por sua vez, também considera o anúncio positivo, pois acredita que ele destrava valor para os acionistas e sinaliza um potencial retorno interessante através de dividendos. O banco destaca que as chances de esse pagamento se concretizar são altas, dado o histórico da Cyrela de remunerar os acionistas durante eventos corporativos relevantes, como o IPO da Cury, em 2020, e a distribuição extraordinária de dividendos no final de 2025, em função de mudanças tributárias.
Além disso, o Bradesco BBI analisou o anúncio de forma positiva, já que ele supera as expectativas de uma venda que girasse em torno de R$ 1 bilhão em ativos não estratégicos, incluindo galpões logísticos além de uma torre corporativa. O Itaú BBA, por sua vez, acredita que a venda de ativos anunciada pela Cyrela pode gerar ganhos líquidos de aproximadamente R$ 800 milhões, o que representaria cerca de 8% do valor patrimonial da empresa.
Esse banco também aponta que a operação pode diminuir o múltiplo P/VP (preço sobre valor patrimonial) da Cyrela, passando de 0,8 para cerca de 0,75 após o reconhecimento do ganho. Com a entrada prevista de R$ 1,4 bilhão a R$ 1,5 bilhão — sendo metade em cotas do TRXF11, que devem ser monetizadas gradualmente — a estrutura de capital da empresa deve passar por mudanças significativas.
O Itaú BBA estima que a relação entre dívida líquida e patrimônio líquido (ND/PL) pode cair de 19,6% no primeiro trimestre de 2026 para 6%, criando espaço para uma distribuição de dividendos mais robusta. Eles calculam um potencial retorno adicional em dividendos que varia entre 10% e 15%, enquanto a empresa poderia retornar a um nível de alavancagem que é considerado ideal, entre 15% e 20%, o que poderia levar o múltiplo P/VP para cerca de 0,7.
Por fim, apesar de reconhecer que o cenário ainda é desafiador para o segmento imobiliário de média e alta renda, o Itaú BBA mantém sua recomendação de compra para as ações da Cyrela, estabelecendo um preço-alvo de R$ 33. Eles citam a execução da empresa, a maior exposição ao segmento de baixa renda — que é considerado mais resistente — e a avaliação atrativa das ações como principais motivos para essa recomendação.
