Cultura e Desenvolvimento: Márcio Tavares em Seminário Internacional
Discussões sobre políticas culturais marcam o 15º SIPC no Rio, destacando a importância da cultura para a democracia e a sociedade.

A reabertura das políticas culturais no Brasil, o fortalecimento da democracia e a afirmação da cultura como uma questão de Estado foram os principais pontos discutidos durante a abertura do 15º Seminário Internacional de Políticas Culturais (SIPC), que ocorreu em 25 de maio de 2026, na Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro. Este evento, uma das principais plataformas para discussão e formulação de políticas culturais na América Latina, reúne, ao longo da semana, uma diversidade de participantes: pesquisadores, gestores públicos, trabalhadores da cultura, estudantes e representantes de organismos internacionais.
Durante a cerimônia de abertura, Alexandre Santini, presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa, ressaltou que esta edição do seminário é a maior da história do evento e simboliza a reconstrução institucional da cultura no país, especialmente após um período em que as políticas culturais federais passaram por descontinuidades. Santini observou que o crescimento do SIPC reflete a expansão do campo da gestão cultural e da pesquisa em políticas culturais no Brasil. Para esta edição, foram aprovadas 290 propostas, com uma programação que inclui conferências, mesas-redondas, apresentações de pesquisas e debates.
Na abertura, o secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, também fez uso da palavra. Ele destacou que a reestruturação do MinC, iniciada em 2023, está sendo realizada com foco na institucionalização das políticas culturais e na ampliação da participação social. Tavares enfatizou que a participação da sociedade é essencial para a efetivação dessas políticas, lembrando que elas só se tornam realmente robustas quando são reconhecidas como uma demanda concreta da população. Um exemplo prático dessa abordagem participativa é o Plano Nacional de Cultura, que contou com a contribuição de mais de 85 mil pessoas.
Atualizado há menos de 1 hora
Foto: Divulgação/FCRB
A Fundação Casa de Rui Barbosa encerrou nesta sexta-feira (29) a maior edição já realizada do Seminário Internacional de Políticas Culturais. Ao longo de cinco dias de programação intensa, o XV SIPC reuniu mais de 1.400 participantes, entre público presencial e online, consolidando-se como um dos principais espaços de debate, intercâmbio e formulação sobre políticas culturais no Brasil e na América Latina. Foram mais de 700 participantes presenciais e outros 700 acompanhando remotamente a programação, reunindo pesquisadores, estudantes, gestores públicos, trabalhadores da cultura, agentes culturais e representantes da sociedade civil de diferentes regiões do país e do exterior. Durante a semana, a Casa Rui se transformou em ponto de encontro para a circulação de ideias, experiências e reflexões sobre os desafios contemporâneos da cultura.
Idealizadora e coordenadora do Seminário Internacional de Políticas Culturais, chefe do Setor de Pesquisa em Políticas Culturais da Fundação Casa de Rui Barbosa e coordenadora da Cátedra UNESCO de Políticas Culturais e Gestão, Lia Calabre destacou a emoção de celebrar os 15 anos do encontro, que chega em 2026 à sua maior edição já realizada: “Chegar aos 15 anos do Seminário é uma felicidade imensa. É um encontro que reúne academia, sociedade civil, gestores públicos, gestores de coletivos, representantes da cultura popular, dos pontos de cultura e das mais diversas práticas culturais. Ao longo desse tempo, o seminário se consolidou como um lugar fundamental de encontro e diálogo entre a pesquisa, a gestão pública e os sujeitos que constroem a cultura no cotidiano. Nesta edição, a maior que já realizamos até agora, tivemos quase 300 trabalhos apresentados, mais de 50 mesas e cinco dias intensos de conversas, trocas e reflexão coletiva. Com salas cheias, debates potentes e encontros que continuam para além da programação, desdobrando-se em novas redes, novos projetos e novas propostas para as políticas culturais. Fico muito contente por ver o seminário chegar aos 15 anos com essa força, essa continuidade e essa capacidade de mobilização. Brinquei que estamos debutando, e é exatamente essa a sensação: celebrar uma trajetória construída coletivamente e seguir olhando para o futuro com muita felicidade.”
A programação contou com conferências, mesas de comunicação, debates, encontros institucionais e lançamentos de livros, compondo uma intensa agenda dedicada ao pensamento crítico e à circulação de ideias sobre cultura e políticas públicas. Foram quase 300 trabalhos apresentados em mais de 50 mesas de comunicação, com pesquisas e relatos de experiência sobre temas como direitos culturais, diversidade cultural, memória, financiamento, territorialidade, gestão pública, cooperação internacional, participação social e os desafios da reconstrução das políticas culturais no Brasil e na América Latina.
Ao articular universidade, poder público, trabalhadores da cultura e sociedade civil em um mesmo espaço de escuta e formulação, o XV Seminário reforçou a importância da cultura como campo de conhecimento e como prática social vinculada à cidadania e à vida democrática. O encontro também amplia o acesso público à produção acadêmica do setor: todos os trabalhos apresentados nesta edição serão disponibilizados em breve para consulta pública.
Em mensagem em vídeo, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, parabenizou a Fundação Casa de Rui Barbosa, o presidente Alexandre Santini e toda a equipe pela realização do XV Seminário Internacional de Políticas Culturais: “Estamos vivendo um processo muito importante de retomada da participação da sociedade civil. Neste seminário, temos estudantes, pesquisadores, profissionais e pessoas da sociedade civil reunidos para discutir e auxiliar na qualificação das políticas culturais. Sabemos que a cultura está em constante movimento. A cada momento e a cada geração surgem novos desafios. Por isso, é muito importante estabelecer espaços de diálogo."
