Cuba enfrenta apagões e crise de combustível em meio a pressão dos EUA
Cubanos lidam com graves apagões e escassez de combustível enquanto EUA intensificam sanções e exigem reformas políticas na ilha.

O recente incidente que gerou a acusação de homicídio contra o ex-presidente de Cuba, Raúl Castro, permanece vivo na memória coletiva de Havana e Miami. Na quarta-feira, um caso nos EUA acusou Castro e mais cinco pessoas pelo abate de dois aviões do grupo cubano-americano Irmãos à Resgate, em 1996, resultando na morte de quatro pessoas, incluindo três americanos. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, classificou as acusações como "uma manobra política, desprovida de qualquer fundamento legal". Por outro lado, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que Cuba representa uma "ameaça à segurança nacional", reduzindo as chances de um acordo pacífico entre os dois países.
Enquanto as acusações contra Raúl Castro eram reveladas, muitos cubanos estavam alheios à situação devido a um apagão de 20 horas que continua a afetar a ilha. O bloqueio quase total de combustíveis imposto pelos EUA impacta diretamente a vida cotidiana. O presidente americano, Donald Trump, tem pressionado Cuba e discutido a possibilidade de derrubar o regime comunista. Os EUA exigem reformas políticas e econômicas, mas os detalhes permanecem vagos, incluindo a necessidade de abrir a economia a mais investimentos estrangeiros e garantir o fim da presença de agências de inteligência russas ou chinesas na ilha.
Ana Rosa Romero, uma viúva de 70 anos que reside no 11º andar do prédio Granma Dos, um bloco de habitação social em Havana, compartilha sua realidade. Após a morte recente de seu marido, um apagão forçou-a a manter o corpo por horas antes que pudesse ser removido. Com o elevador frequentemente fora de funcionamento, Ana Rosa mal consegue sair de seu apartamento. "É muito difícil sair," disse a ex-professora de filosofia, com uma foto emoldurada de Fidel Castro na parede. "Quando a energia vai embora? Quando ela volta? Quantas horas ficaremos sem eletricidade?" Para ela, descer as escadas é arriscado, especialmente com onze andares para subir carregando sacolas de compras. Outros moradores enfrentam situações ainda mais complicadas.
A síndica do prédio, Juana Garcia, revelou que nove residentes têm marcapassos e não podem correr o risco de ficar presos sem elevador. Outros já ficaram presos no elevador durante apagões por horas. Juana tem se esforçado há quase seis meses para levar água a mais de 100 moradores que estão sem eletricidade. Muitos idosos estão acamados e não recebem água a não ser que um vizinho a carregue pelas escadas escuras. "É perigoso subir e descer essas escadas sem luz. A situação é extremamente difícil. Sabemos que estamos passando por tempos complicados, mas é triste ver este grande prédio preso na escuridão," lamenta. Sua esperança é que o governo forneça painéis solares para aliviar a situação dos moradores, especialmente os mais vulneráveis.


