
Crise Habitacional na Espanha: Aluguel Consome Até 50% do Salário
Aumento alarmante nos preços de aluguel e a escassez de novas construções impactam a população espanhola em 2026.
Reprodução Redes Sociais
As evidências da crise habitacional que a Espanha enfrenta são claras e alarmantes. No setor de arrendamento, os dados mostram que os preços subiram cerca de 30% desde 2022, conforme o CIS. Em contrapartida, a construção de novos edifícios tem se mantido em níveis mínimos, com uma média de apenas 83 mil habitações por ano desde 2010. Para se ter uma ideia, esse número é bem abaixo das 315 mil unidades que eram construídas, em média, entre 1970 e 2010.
Além disso, o parque de habitação pública na Espanha é bastante limitado. Segundo o Banco de Espanha, ele representa entre 1,5% e 3,3% do total de residências, enquanto a média na União Europeia é de 9,3%. Esses números têm gerado preocupações, e até mesmo o setor imobiliário, que historicamente tem sido criticado por plataformas como o Sindicato de Inquilinas, está sendo pressionado a agir, especialmente em relação aos fundos abutre e aos despejos que afetam as populações mais vulneráveis.
O portal Fotocasa, que atua como intermediário na compra e venda de imóveis, estima que, em 2025, os espanhóis que vivem em casas arrendadas terão que destinar, em média, 50% de seus salários para cobrir o custo da moradia. Esses dados, que foram calculados a partir dos salários médios das ofertas de emprego na plataforma InfoJobs, podem ser considerados uma radiografia um tanto otimista, mas ainda assim revelam uma realidade preocupante.
Dentro desse cenário, o laboratório de ideias Funcas aponta que os jovens são um dos grupos mais afetados, gastando cerca de 35% de seus orçamentos com moradia — um valor que ultrapassa em dois pontos percentuais o máximo que os economistas recomendam, que é um terço do salário.
Curiosamente, o Fotocasa também observa que a porcentagem do salário destinada ao arrendamento aumentou de 38% em 2019 para 50% em 2025. É importante notar que essa realidade varia entre as comunidades autônomas: enquanto na Extremadura a estimativa é de 29%, em Madrid chega a impressionantes 71%.
Os dados se mostram consistentes em outras áreas do ranking das comunidades autônomas. Nas regiões tradicionalmente mais caras, como o País Basco, as Ilhas Canárias e Baleares, a Catalunha e a Comunidade Valenciana, os moradores enfrentam os maiores custos. Por outro lado, nas províncias onde a parte do salário que vai para a moradia é menor, destacam-se Jaén (23%), Teruel (25%), Cáceres (27%), Ciudad Real (28%), Albacete (29%), Ourense (29%), Badajoz (29%), Córdoba (29%), Palência (30%) e Castellón (31%).


