Crescimento do Setor de Serviços no Brasil em Agosto de 2026
Setor de serviços brasileiro apresenta recuperação em agosto, com aumento na confiança e estabilização de novas encomendas, segundo PMI.
SÃO PAULO, 3 de setembro de 2026, 10h58 – Atualizado há pouco.
A atividade no setor de serviços do Brasil registrou um crescimento significativo em agosto, recuperando-se de uma leve queda observada em julho. Este resultado é um reflexo da estabilização nas novas encomendas e no emprego, além do aumento na confiança dos empresários, conforme revelado pela pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI) divulgada hoje.
O PMI de serviços, elaborado pela S&P Global, subiu para 50,5 em agosto, superando os 49,7 registrados no mês anterior. Este indicador é crucial, pois ultrapassa a linha de 50, que marca a transição entre crescimento e contração. Importante ressaltar que, neste ano, apenas julho apresentou uma retração na atividade.
A recuperação observada é atribuída à ampliação da base de clientes e à conquista de novos contratos. Contudo, o ritmo geral de crescimento foi considerado marginal. As condições de demanda mostram sinais de estabilização, com os volumes de novos negócios praticamente inalterados em agosto, após uma queda acentuada em julho, a mais significativa em dez meses.
Enquanto algumas empresas relataram um aumento na demanda e um número maior de consultas de clientes, outras enfrentaram dificuldades, como cancelamentos de projetos, pressões competitivas e a persistente inflação.
No mercado de trabalho, as condições também se estabilizaram. O nível de emprego no setor de serviços permaneceu estável em agosto, após quedas nos meses anteriores. Algumas empresas realizaram contratações para preencher vagas abertas ou substituir funcionários, enquanto outras optaram por cortes em um movimento de reestruturação e controle de custos.
A confiança dos fornecedores de serviços no Brasil também apresentou um avanço, alcançando o nível mais alto em três meses. A proporção de empresas que esperam um aumento na atividade nos próximos 12 meses subiu de 29% em julho para 32% em agosto. Esse otimismo é impulsionado pela expectativa de melhora nas condições econômicas e pela crescente confiança do mercado após a eleição presidencial de outubro.
Entretanto, as pressões inflacionárias continuam sendo um dos principais desafios para os prestadores de serviços no país. Os custos de insumos continuam a subir consideravelmente, embora a aceleração tenha diminuído em relação a julho. Empresas consultadas relataram aumentos nos preços de diversos materiais, incluindo cabos, alimentos, componentes eletrônicos, tintas, têxteis e madeira, além de custos com energia, financiamento, combustíveis, mão de obra, impostos sobre propriedades e transporte.
Para proteger suas margens, muitas empresas repassaram parte do aumento de custos aos consumidores, resultando em uma intensificação da inflação de venda no mês. Apesar disso, a proporção de empresas que aumentaram seus preços (16%) permanece bem abaixo daquela que relatou aumento de custos (41%).
Em resumo, embora haja sinais de recuperação no setor de serviços, os desafios impostos pela inflação ainda exigem atenção.