Crescimento da População de Baleias-Jubarte: De 1,5 mil a 35 mil

Em 30 anos, a população de baleias-jubarte aumentou significativamente, refletindo os esforços de conservação no Brasil.

•3 min de leitura•Fonte original
Crescimento da População de Baleias-Jubarte: De 1,5 mil a 35 mil
© Tânia Rêgo/Agência Brasil

O catamarã Pegasus I parte do cais no coração de Caravelas, na Bahia, logo ao amanhecer. O destino? O arquipélago dos Abrolhos, um verdadeiro tesouro de biodiversidade marinha no Brasil.

A navegação está prevista para durar cerca de cinco horas, mas, na prática, isso pode se estender. Os passageiros não estão apenas navegando; eles estão "baleiando". Isso significa seguir o rastro das majestosas baleias jubarte, que anualmente deixam a Antártica para vir a Abrolhos em busca de um lugar para acasalar e dar à luz.

Duas horas após a partida, o grupo se acomoda nos melhores pontos de observação do catamarã e afina o olhar. O primeiro sinal da presença de uma baleia é o borrifo, que logo estabelece a direção do barco.

Muitas pessoas podem pensar que se trata de um jato de água expelido pelo animal, mas, na verdade, é a condensação do vapor quente da respiração da jubarte, que se transforma em água ao entrar em contato com o ar frio da superfície.

Quando um borrifo surge no horizonte, um dos observadores rapidamente avisa os outros, e todos se voltam para a direção indicada, ansiosos pela aparição do dorso ou, quem sabe, de um salto espetacular.

A embarcação se aproxima do animal, e as câmeras se preparam na expectativa de que a estrela do momento decida mostrar a parte traseira da cauda, que é única para cada jubarte, funcionando como uma impressão digital.

Aqueles que nunca tiveram a chance de ver uma baleia de perto aguardam com expectativa. Mas mesmo aqueles que saem para "baleiar" todos os anos, há décadas, compartilham desse mesmo sentimento de emoção. Quando as jubartes finalmente se revelam, com toda a sua graça e esplendor, o encantamento é contagiante.

Entre os fotógrafos a bordo, está Enrico Marcovaldi, um experiente capturador de imagens de vida selvagem que registra baleias em Abrolhos há quase quatro décadas. Depois de tanto tempo, seria natural que ele encarasse a aparição dos animais como algo habitual, mas cada clique de sua câmera vem acompanhado do entusiasmado bordão: "Isso é que é bonito!".

Esta expedição faz parte de um projeto do Instituto Baleia Jubarte, que se dedica a monitorar a passagem desses magníficos animais pelo Brasil. Eles produzem estimativas populacionais e investigam os hábitos e comportamentos das jubartes.

Para isso, todos os avistamentos são catalogados, e algumas amostras de pele e gordura são coletadas para biópsia utilizando uma flecha lançada por uma balestra. Para se ter uma ideia, uma jubarte adulta pode medir mais de 10 metros e pesar cerca de 30 toneladas; portanto, a flecha, em proporções humanas, seria como uma lanceta usada para medir glicose.

Desde os tempos do Brasil colônia, essas majestosas criaturas foram alvo de caça, principalmente pela extração de sua gordura, que era transformada em óleo para iluminação. A prática foi proibida apenas em 1987, e a jubarte foi colocada na lista de animais em risco de extinção.

Um ano depois, durante os esforços para estabelecer o Parque Marinho de Abrolhos, pesquisadores descobriram uma pequena população sobrevivente no arquipélago. Marcovaldi estava presente e decidiu, em parceria com a biologia, dedicar-se à proteção e estudo dessas incríveis criaturas.

Compartilhar: