Crédito para Endividados: Solução para Inadimplência no Brasil
Economistas alertam que manter o crédito é essencial para evitar a piora da inadimplência no Brasil, destacando a importância do acesso ao crédito.
Data e Hora Atual: 22/08/2026, 11h15
• Data de Publicação Original: 22/08/2026, 14h00
A manutenção do crédito para consumidores endividados é, segundo especialistas, um fator crucial para evitar uma piora nos índices de inadimplência no Brasil. Em uma conversa com a Broadcast, plataforma de notícias em tempo real do Grupo Estado, economistas do PicPay, Ariane Benedito e Matheus Pizzani, compartilharam suas análises sobre o tema.
Ariane destacou que, durante a última reunião do comitê financeiro da instituição, ficou evidente que uma interrupção repentina no fluxo de crédito — seja por parte de bancos ou fintechs — pode gerar consequências indesejadas. Em vez de corrigir o sistema, essa interrupção poderia aumentar a inadimplência, pois cortaria o acesso ao crédito que permite que os devedores mantenham suas contas em dia.
“Se a gente parar de oferecer crédito, esses números vão piorar. A inadimplência vai aumentar”, afirmou Ariane. Ela observou que o comportamento do consumidor brasileiro atualmente envolve pagar uma dívida com outra, utilizando crédito de um lugar para cobrir o que deve em outro. Essa estratégia, embora funcione no curto prazo, mantém altos os níveis de endividamento e o comprometimento da renda.
Ariane descreveu essa prática como “crédito sujo”, que se concentra nas opções de crédito mais imediatas, como o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial. “A qualidade disso é muito ruim”, comentou, enfatizando que grande parte do endividamento está ligada a produtos de alto custo, que servem como uma ponte para a rolagem de dívidas entre diferentes instituições financeiras.
Apesar dessas preocupações, ela reconheceu que esse mecanismo é o que impede uma explosão na inadimplência. “A situação não se agrava porque ainda existe crédito disponível, permitindo que as pessoas peguem um novo empréstimo para pagar o que devem aqui”, explicou.
Ariane e Pizzani mencionaram que essa dinâmica resulta em uma forma de “estabilização artificial” da adimplência. Os consumidores permanecem endividados e com a renda comprometida, mas não necessariamente caem na inadimplência formal. “Ele entra no comprometimento e no endividamento, mas não na inadimplência”, afirmou. “É uma situação meio artificial, mas ele ainda está adimplente.”
Ela também relacionou esse cenário à recente bancarização promovida por fintechs e bancos digitais, que ampliaram o acesso ao sistema financeiro. Embora essa inclusão tenha permitido que mais famílias realizem diversas atividades, também trouxe o efeito colateral de um maior comprometimento da renda.
Ariane alertou que essa dinâmica é estrutural e não será resolvida rapidamente. Para ela, ainda não há evidências de que a inadimplência tenha atingido o seu pico, e a diminuição desses números exigirá tempo. “Precisamos de anos para mudar isso. Não é algo que acontece da noite para o dia”, afirmou. Nesse cenário, cortar o crédito agora seria uma medida drástica e prejudicial para os próprios devedores. “Não é o momento de parar de oferecer crédito”, disse, comparando essa estratégia a um tiro de misericórdia na capacidade de pagamento dos consumidores.
Além disso, a economista mencionou que a existência desse mecanismo ajuda a explicar por que programas de renegociação são tão relevantes neste contexto.