Corrupção no TCE-MT: R$ 15 milhões em pagamentos irregulares

Polícia Federal investiga presidente do TCE-MT por suposto esquema de corrupção que envolve R$ 15 milhões em pagamentos não declarados.

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29/10/2026, 13h32 Atualizado 29/10/2026, 13h58

A Polícia Federal, em parceria com o Ministério Público Federal, revelou que Sérgio Ricardo de Almeida, presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), teria recebido aproximadamente R$ 15 milhões de forma irregular ao longo de dez meses. Essa investigação faz parte de um suposto esquema de corrupção liderado por Almeida dentro da corte de contas estadual. Detalhes foram destacados na decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça, que autorizou a prisão de Almeida, do procurador-geral de contas do Estado, Grhegory Paiva Pires, e de mais quatro pessoas.

A investigação se aprofundou nos valores com base em relatórios de inteligência financeira do Coaf e na quebra de sigilo bancário do presidente do TCE-MT e de outros envolvidos. A PF aponta que Sérgio Ricardo de Almeida recebeu mais de R$ 15 milhões entre 1º de janeiro e 22 de outubro de 2025.

A representação policial especifica 101 lançamentos em menos de dez meses que totalizam R$ 15.442.211,65 destinados a Sérgio Ricardo de Almeida. Desses, R$ 10.785.553,29 são referentes a ordens bancárias avulsas, enquanto R$ 2.040.639,89 e R$ 2.311.058,45 estão sob as rubricas de fornecedores e R$ 304.960,02 a título de salário. Um detalhe importante é que, conforme a decisão do ministro Og Fernandes, Sérgio Ricardo de Almeida recebeu R$ 4.351.698,34 por meio de pagamentos a fornecedores.

A investigação indica que sete conselheiros do tribunal de contas estadual podem ter recebido cerca de R$ 48 milhões de maneira irregular, sem que esses valores fossem divulgados no portal da Transparência da corte. Segundo a decisão de Og Fernandes, "os pagamentos, em tese, indevidos, eram realizados diretamente da conta do TCE/MT, a partir do recebimento de duodécimos, mas não por meio da folha normal. Normalmente, eram feitos pelo canal de pagamento destinado a fornecedores".

A PF e o Ministério Público Federal começaram a investigar após uma denúncia anônima que sugeria que o presidente do TCE-MT estaria usando sua influência para pressionar empresas que prestam serviços à corte a fazer repasses. A investigação revelou uma complexa rede de transações financeiras e repasses a pessoas que poderiam atuar como laranjas no esquema, uma estratégia para devolver os recursos ao presidente do TCE-MT e a outros envolvidos. Com informações que reforçavam as suspeitas, a PF e o MPF solicitaram ao STJ a realização da operação policial que ocorreu hoje.

Com o desenrolar das investigações, novos elementos de prova foram coletados, confirmando a veracidade da denúncia anônima. Após a quebra de sigilo bancário, foram identificadas transferências do Tesouro Estadual ao TCE/MT que somaram R$ 736.018.477,60, distribuídas em 52 ordens bancárias. Além disso, pagamentos adicionais também foram detectados...

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