Controvérsia do Projeto Fasano na Sardenha: Batalha Judicial
O projeto Fasano Al Mare Beach Club enfrenta resistência de ambientalistas e divide a opinião pública na Sardenha, com audiência judicial marcada para 8 de julho.
Um novo projeto do grupo JHSF Fasano está gerando uma intensa disputa ambiental e política na Sardenha, um dos destinos mais procurados da Itália para o turismo de luxo. A primeira fase desse empreendimento já enfrenta resistência de grupos ambientalistas, que se opõem às intervenções em uma área de vegetação destinada à conservação. O caso escalou para um embate entre o governo italiano e a administração regional, levando-o à Justiça. Uma audiência sobre a situação está marcada para a próxima quarta-feira, dia 8 de julho.
A população local também se mostra dividida, com muitos se manifestando contra o projeto. Uma petição online já conta com mais de 75 mil assinaturas.
O empreendimento, chamado Fasano Al Mare Beach Club, está localizado em Cala Finanza e é promovido nas redes sociais do grupo como um espaço destinado a hóspedes e visitantes. Ele ocupa as instalações à beira-mar de uma villa dos anos 1960, conhecida como Villa Joy, que, segundo informações, teria sido adquirida pelo grupo.
As imagens promocionais mostram não apenas a construção principal, mas também uma piscina, quadras esportivas e pergolados. O clube chegou a operar em agosto do ano passado e, para este verão, estavam previstas obras de requalificação da estrutura, com a reabertura anunciada para 1º de julho.
O projeto inclui a solicitação de autorização para abrir um bosque de trilhas para pedestres, além de sete módulos habitacionais removíveis do tipo "glamping" (uma fusão de "glamour" e "camping"), dois módulos para escritórios, e ainda a criação de acessos entre as unidades e a praia, assim como instalações para rede de esgoto, água e eletricidade. Também foi solicitado o cambio de uso da área, de residencial para turístico-hoteleiro.
Os grupos ambientalistas contestam as obras, pois a legislação da Sardenha proíbe desde os anos 1990 construções a até 300 metros do mar - e a área da Villa Joy fica a apenas 30 metros do litoral. A vegetação local faz parte do bioma conhecido como "macchia" mediterrânea.
Além disso, o projeto contraria o plano paisagístico regional de 2006, que define a preservação da paisagem como um dos principais recursos identitários da Sardenha. "Trata-se de uma zona que integra vínculos paisagísticos ambientais de conservação integral. Portanto, não pode ser alterada por iniciativas turístico-imobiliárias dessa natureza", afirmou Stefano Deliperi, presidente da associação ecologista Grupo de Intervenção Jurídica, que está acompanhando o caso.
Nos documentos relacionados ao projeto, a sociedade Tavolara Bay é mencionada como a responsável, com a JHSF como sócia principal. Também está envolvida a BD Capital, que se descreve como uma "holding de investimento".
O assunto ganhou destaque político e chamou a atenção da imprensa, especialmente devido à forma como os responsáveis pelo empreendimento solicitaram a autorização para operar em Cala Finanza. A Tavolara Bay utilizou um mecanismo conhecido como Zona Econômica Especial (ZEE), em vigor desde 2024, que foi criado para facilitar iniciativas de desenvolvimento no sul do país. De acordo com o site do Departamento para o Sul, uma secretaria vinculada ao gabinete da primeira-ministra Giorgia Meloni, a intenção do mecanismo de autorização única ZEE é...