Conflitos Israel-Hezbollah: Ataques Persistem Após Negociações
Apesar de diálogos em Washington, tensões entre Israel e Hezbollah continuam a aumentar, com novos ataques e consequências devastadoras.
Os conflitos entre as forças israelenses e o grupo libanês Hezbollah, apoiado pelo Irã, continuam a se intensificar mesmo após conversas diretas entre Israel e o Líbano em Washington, que tinham como objetivo amenizar a situação. Na quarta-feira, Israel lançou ataques que atingiram dois veículos na rodovia costeira ao sul de Beirute, nas proximidades das cidades de Saadiyat e Jiyeh, longe das áreas tradicionalmente controladas pelo Hezbollah. Imagens divulgadas mostraram uma van em chamas, enquanto equipes de emergência trabalhavam para conter o fogo e recuperar restos humanos. O exército israelense não se manifestou imediatamente sobre os acontecimentos.
No norte de Israel, um homem foi ferido na cidade de Tamra, após o Hezbollah disparar cerca de 30 foguetes através da fronteira, conforme relataram médicos e militares. O Hezbollah, por sua vez, declarou que os foguetes foram lançados em dez locais no norte de Israel.
O exército israelense informou que suas tropas estavam envolvidas em operações terrestres no sul do Líbano, atingindo mais de 200 alvos relacionados ao Hezbollah nas últimas 24 horas. Em meio a esse cenário de bombardeios aéreos e de artilharia, novas chamadas para evacuação foram feitas para os residentes de uma ampla área no sul do Líbano.
Embora Israel tenha se abstido de atacar Beirute desde sua intensa onda de ataques na semana anterior — que, segundo autoridades libanesas, resultou em mais de 350 mortes em um curto espaço de tempo — os ataques em áreas do sul e leste do Líbano continuaram. O governo israelense anunciou planos para estabelecer uma zona de segurança que se estenderá de 8 a 10 km dentro do território libanês, justificando que essa medida é necessária para proteger suas comunidades de ataques do Hezbollah.
Na madrugada de quarta-feira, relatos de confrontos surgiram de várias cidades e vilarejos da fronteira libanesa, como Khiam e Bint Jbeil, com tiros e explosões sendo ouvidos durante a noite.
A violência persistiu, mesmo diante de um cessar-fogo mediado pelos EUA entre o Irã e Israel, que, segundo Israel, não se aplica à sua campanha no Líbano. Na terça-feira, uma reunião em Washington foi um marco, reunindo representantes libaneses e israelenses para o primeiro contato direto de alto nível em três décadas, em um contexto onde ambos os países ainda se encontram formalmente em guerra.
O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que atuou como mediador nas discussões entre o embaixador israelense Yechiel Leiter e a embaixadora libanesa Nada Moawad, considerou aquele um momento crucial. O presidente libanês Joseph Aoun expressou um otimismo cauteloso, esperando que as negociações fossem o início do fim do sofrimento do povo libanês.
No entanto, não houve anúncio de um cessar-fogo durante a reunião, e as tentativas diplomáticas revelaram profundas divisões internas no Líbano. O Hezbollah se opôs fortemente a essas negociações, com um de seus deputados, Hassan Fadlallah, alertando que a rixa interna poderia se intensificar devido à decisão do governo libanês de dialogar com Israel. Ele enfatizou que o grupo buscava um cessar-fogo abrangente, não um retorno aos frequentes ataques e assassinatos israelenses que se tornaram comuns após o acordo de cessar-fogo de novembro de 2024, que havia encerrado um período prolongado de hostilidades.