Conflitos Brasil-EUA: Divergências entre Oposição e Amorim
Discussão na Câmara destaca diferentes visões sobre relações Brasil-EUA na era Trump e suas implicações para a soberania nacional.
© Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
Na última quarta-feira, 12 de agosto de 2026, uma discussão acalorada ocorreu na Câmara dos Deputados, onde deputados da oposição e o assessor especial da presidência, o embaixador Celso Amorim, expressaram visões divergentes sobre os recentes desentendimentos nas relações entre Brasil e Estados Unidos.
Amorim, representando o governo, argumentou que as medidas adotadas pelos EUA, como o recente aumento de tarifas, são impulsionadas por motivações políticas. Ele afirmou que a administração de Donald Trump está tentando subordinar os interesses da América Latina aos do país norte-americano.
"Presidente Lula tem sido claro ao afirmar que não aceitaremos que ações unilaterais sejam usadas como justificativa para comprometer nossa soberania ou impor restrições econômicas ao Brasil", disse Amorim, enfatizando a posição firme do governo brasileiro.
O embaixador também mencionou um vídeo divulgado pela diplomacia dos EUA no dia anterior, em que se reivindicava que a dominação americana sobre a América Latina não deveria ser questionada. "Quem assistiu ao vídeo liberado pelo Departamento de Estado, lido pelo embaixador dos EUA no Panamá, percebe que a intenção é, de fato, relativizar a soberania dos países latino-americanos, incluindo o Brasil", acrescentou.
Por outro lado, os parlamentares da oposição, liderados pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL-SP), tentaram atribuir ao governo brasileiro a responsabilidade pelas ações do governo Trump. Ele destacou que a recente transformação do Brics em um bloco antiocidental reflete um padrão de anti-americanismo que tem priorizado a retórica em detrimento de uma abordagem comercial mais pragmática.
O Brics, composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, é frequentemente acusado de ter uma postura antiocidental, embora seus membros, especialmente a Índia, enfatizem que não fazem parte desse viés.
O deputado Luiz Philippe também fez um apelo ao governo brasileiro para que “destrave” a concessão do visto diplomático para Daniel Pérez, indicado pelos EUA para ser embaixador no Brasil. A ausência desse visto levou os Estados Unidos a cancelar o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti.
Além disso, o deputado Marcel Van Hatten (Novo-RS) alegou que o Brasil cometeu uma “agressão à soberania dos EUA” por conta do bloqueio de contas de empresas americanas, em um caso envolvendo a rede social X, que se recusou a cumprir decisões judiciais brasileiras. “O que estamos vendo é uma agressão brasileira à soberania americana. Afirmar que o tarifaço não está relacionado com a postura do Brasil em relação aos EUA é distorcer a realidade”, argumentou.
Em resposta, Celso Amorim refutou a ideia de que os desentendimentos com a Casa Branca se baseiam em ideologias. Para ele, o Brasil está aberto ao diálogo com qualquer governo, independentemente de suas orientações políticas.