Confiança Empresarial em Julho: Queda Atinge Menor Nível em Um Ano
Fundação Getulio Vargas revela que o Índice de Confiança Empresarial caiu para 91,3 pontos, refletindo incertezas econômicas e políticas em 2026.
Após um aumento de 1,2 ponto em junho, o Índice de Confiança Empresarial (ICE) sofreu uma queda de 1,4 ponto em julho, alcançando 91,3 pontos. A Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou essa informação na tarde de 3 de agosto de 2026, destacando que essa foi a maior redução desde agosto de 2025, quando o índice caiu 2,7 pontos, conforme comentou Aloisio Campelo Jr., pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (FGV/Ibre).
Fatores internos e externos contribuíram para esse declínio, e o economista não descarta novas quedas no índice. Ao analisar os componentes do ICE, notamos que a confiança na indústria e em serviços recuou 2,9 e 3 pontos, respectivamente, em julho. Em contrapartida, os setores de comércio e construção apresentaram pequenas altas de 0,4 e 0,8 ponto.
Campelo Jr. observou que o desempenho negativo do ICE pode ter sido afetado por ajustes após um aumento significativo da confiança em junho, especialmente na indústria e nos serviços. A demanda interna, que parece estar menos aquecida, também impactou o ânimo do empresariado.
Em julho, o componente que avalia o “nível da demanda no momento presente” caiu 1,2 ponto, fixando-se em 94,1 pontos, em comparação a junho. Essa percepção negativa se refletiu nas projeções futuras, com o indicador que mede o "otimismo com a demanda nos próximos três meses" caindo 2,2 pontos para 87,2 pontos. Isso influenciou o componente que avalia as expectativas dos empresários sobre o futuro dos negócios, que registrou uma leve queda de 0,2 ponto, chegando a 92,5 pontos.
Campelo Jr. resumiu a situação afirmando que “temos um sinal claro de que a percepção de demanda enfraqueceu em julho”. Outro fator que pode ter influenciado o humor do empresariado é o ano eleitoral de 2026, que traz incertezas sobre a política econômica futura, especialmente no que diz respeito ao ajuste fiscal.
Entre os fatores externos, o recente aumento de tarifas promovido pelo governo americano gera preocupação entre os empresários, que temem os efeitos que essas tarifas poderão ter em certos setores da economia. Campelo destacou que as empresas ainda estão se adaptando à nova reforma tributária.
Diante desse cenário, o especialista não descartou a possibilidade de novos recuos no ICE, reconhecendo que “com essas expectativas em baixa e a preocupação com a demanda desacelerando, é possível que o índice da situação atual caia um pouco mais.” Portanto, a deterioração da percepção sobre a demanda traz à tona a chance de que o índice continue a enfrentar desafios nos próximos meses.