Confiança do Consumidor em Alta em Outubro: Perspectiva Negativa

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) sobe levemente em outubro, mas a FGV alerta para um cenário de pessimismo persistente.

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Confiança do Consumidor em Alta em Outubro: Perspectiva Negativa
Reprodução Redes Sociais

26/10/2026 13h42 Atualizado 26/10/2026 13h43

Após cinco quedas consecutivas, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) apresentou uma leve alta de 0,5 ponto em outubro, alcançando 84,7 pontos. Essa é a maior pontuação registrada desde julho, quando o índice chegou a 88,3 pontos.

A informação foi divulgada nesta segunda-feira (26) pela Fundação Getulio Vargas (FGV). No entanto, segundo o economista Rodolpho Tobler, essa alta não deve ser interpretada como uma verdadeira recuperação da confiança do consumidor. Para ele, trata-se apenas de uma “oscilação natural” após um longo período de declínio, sem que isso represente uma mudança significativa na tendência.

“Devemos ser cautelosos, pois a alta foi modesta”, alertou Tobler. “Mesmo assim, o indicador permanece abaixo dos 90 pontos, o que indica um cenário negativo.” Ele ressalta que, segundo os critérios do índice, a confiança só é considerada favorável quando supera os 100 pontos.

“Estamos ainda em um ambiente de muito mais pessimismo do que otimismo. Essa alta foi impulsionada, sobretudo, por expectativas de melhora”, acrescentou.

O economista destacou que, dentro dos dois componentes do ICC, o Índice de Expectativas (IE) subiu 2,8 pontos, alcançando 88 pontos, enquanto o Índice de Situação Atual (ISA) caiu 2,6 pontos, para 81,4 pontos. Esses números sugerem, na prática, que os brasileiros ainda não percebem uma melhora nas condições atuais de consumo.

Outro ponto que merece atenção é a deterioração na percepção dos consumidores sobre suas finanças pessoais. O indicador que mede a situação financeira atual das famílias, um dos elementos utilizados para calcular o ISA, recuou 3,1 pontos, chegando a 71,3 pontos, o menor nível desde janeiro (70,1 pontos).

O indicador que avalia a situação econômica local atual, também parte do ISA, caiu 2,2 pontos, para 91,8 pontos, o que representa o menor patamar desde março de 2025 (91,3 pontos). Esses resultados emergem em um cenário em que as famílias ainda enfrentam altos níveis de endividamento e inadimplência, o que limita suas capacidades de consumo.

Além disso, Tobler ressaltou que a melhora na confiança não foi impulsionada pelas famílias de menor renda. Na verdade, nas quatro faixas de renda analisadas pela FGV, o ICC caiu 5,4 pontos entre as famílias com rendimentos mensais abaixo de R$ 2.000,00.

“O ICC das famílias de baixa renda teve um aumento significativo no mês passado [em setembro, um avanço de 10,7 pontos]”, lembrou.

Ele não descartou a possibilidade de que essa alta tenha sido influenciada pelo anúncio de um reajuste no valor do Bolsa Família, um programa de transferência de renda do governo. “No entanto, essa alta não se sustentou”, comentou, indicando que isso pode ser um sinal de alerta para os próximos resultados do ICC.

Assim, mesmo com esse aumento, os dados do ICC de outubro revelam um impulso menor no consumo das famílias em comparação a períodos anteriores.

Apesar disso, o economista não descarta a possibilidade de novas altas no indicador. Medidas como a expectativa de redução na taxa básica de juros (Selic) – que serve como referência para os juros de mercado – e um aumento nos valores do Bolsa Família podem contribuir para manter o indicador em um patamar mais elevado.

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