Como uma operação arriscada impactou carreira de investidor
Entenda como Raphael Figueredo enfrentou desafios no mercado financeiro após um erro com ações da Telemar, que moldou sua visão sobre riscos e estratégias.

Data de publicação original: 27/09/2026, 14:00. Uma operação arriscada envolvendo ações da antiga Telemar, agora conhecida como Oi, se tornou um marco desafiador na trajetória de Raphael Figueredo, o Rafi, no mercado financeiro. Este erro impactou significativamente os resultados nos anos seguintes e transformou sua relação com o risco. Rafi, estrategista de ações na XP, foi convidado do episódio 261 do programa GainCast. Durante a conversa, ele revisitou momentos marcantes de sua jornada e discutiu temas como risco, alavancagem e os aprendizados que acumulou ao longo da carreira. Embora a presença feminina tenha crescido no segmento de renda variável, ainda é menor em áreas relacionadas ao trading.
O que começou como uma estratégia de venda de volatilidade com opções de Telemar rapidamente se complicou. Rafi fez uma posição muito acima do que deveria, contando com a estabilidade do ativo para que sua estratégia funcionasse. “Naquele dia, eu exagerei. Comprei 1 para 8 nessa estrutura e vendi a volatilidade. Ajustei o Delta, mas tinha a noção de que Telemar não poderia cair mais de 2,5%, pois isso começaria a comprometer tudo. O risco tornaria a situação insustentável”, admite ele.
O problema começou a se desenhar quando uma notícia negativa afetou a empresa, resultando em uma queda acentuada das ações. Essa movimentação ultrapassou o limite que ele considerava seguro, aumentando rapidamente o risco da operação. “Quando você faz esse tipo de operação, pode acabar perdendo o que não tem. No final das contas, você precisa depositar dinheiro na corretora”, alerta.
Diante da queda, Rafi percebeu imediatamente a gravidade do que estava acontecendo, mas não conseguiu fechar a posição naquele momento. Ele só conseguiu zerá-la no pregão seguinte, quando parte da estrutura já havia sido impactada. “Telemar recebeu uma notícia ruim, e a ação desabou, caindo 4,5% de uma vez. A primeira reação foi ficar paralisado diante da tela. Pensei: ‘Se continuar assim, vou quebrar.’ Acabei zerando no dia seguinte, pois não tive coragem de fazer isso no mesmo dia”, recorda.
Apesar da magnitude da perda, ele destaca que sempre houve uma separação entre o capital destinado às operações e o restante de seu patrimônio. “Você coloca em risco apenas o que pode perder, e não o que compromete sua vida”, ressalta. O impacto, no entanto, não se limitou ao fechamento da posição. Rafi revela que precisou pedir ajuda ao pai para recuperar o capital necessário e retornar ao mercado. “Nos três anos seguintes, voltei a ganhar dinheiro, mas esses anos foram dedicados a cobrir a perda, não a acumular riqueza”, conta ele. Além disso, Rafi atribui o ocorrido às suas próprias decisões, sem apontar culpa a fatores externos. Para ele, reconhecer o erro foi fundamental para a recuperação.
