Cientistas Alertam: Risco de Interferência nas Eleições Brasileiras

Entidades científicas alertam sobre a ameaça de interferência externa nas eleições de 4 de outubro, destacando a importância da soberania nacional.

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A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) expressaram sua preocupação em relação à possibilidade de interferência estrangeira nas eleições brasileiras, com um foco especial nos Estados Unidos. Essas instituições alertam que tal interferência poderia comprometer “a soberania nacional, o funcionamento das instituições democráticas e a livre formação da vontade dos eleitores”. Ao enfatizar a importância da independência e autonomia do brasileiro, elas reafirmam que as decisões políticas devem ser tomadas exclusivamente pelo povo.

“A escolha dos governantes brasileiros pertence unicamente ao povo brasileiro. Nenhum Estado, governo, poder econômico ou ator externo deve tentar influenciar essa decisão, seja por meio de pressões políticas ou econômicas, manipulação do ambiente informacional ou uso indevido de tecnologias e plataformas digitais”, afirmam as entidades.

No final de agosto, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) divulgou um relatório reservado que aponta para o risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições deste ano no Brasil. Esse documento também alerta sobre uma tendência crescente de pressão estadunidense sobre o país.

Em resposta, a ABC e a SBPC solicitaram a mobilização de todas as instituições da República, além da comunidade científica, acadêmica e da sociedade civil, para garantir uma eleição livre de qualquer ingerência internacional.

“Cabe a todos contribuir, em suas respectivas responsabilidades, para criar um ambiente público fundamentado em informação confiável, respeito às instituições, liberdade de escolha e rejeição a qualquer tentativa de interferência externa na soberania da população brasileira”, ressaltam.

Além disso, as entidades apoiaram uma iniciativa do Instituto Vladimir Herzog, que levou uma carta às Nações Unidas destacando os riscos de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras e pedindo o reconhecimento rápido do resultado, independentemente de quem vença.

Durante seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, na terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também abordou essa questão. Ele defendeu a soberania dos países e mencionou as tentativas de influência externa sobre os processos políticos, especialmente na América Latina e no Caribe.

“Estamos novamente testemunhando a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência e as investidas neocoloniais com recursos estratégicos são gestos anacrônicos”, afirmou, ao se referir a contextos recentes na Venezuela, Nicarágua, Haiti e Cuba.

As eleições estão agendadas para o dia 4 de outubro. Neste dia, os eleitores irão escolher candidatos para cargos de deputado estadual/distrital, deputado federal, senador, governador e presidente da República.

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