Ciências Comportamentais: Impulsionando MPEs com Novas Políticas
Sebrae e Ministério da Gestão utilizam ciências comportamentais para criar políticas públicas que beneficiam micro e pequenas empresas no Brasil.
O que impede um pequeno empresário no Brasil de agir em prol do seu negócio, mesmo ciente das ações necessárias? Essa questão levou o Sebrae a unir forças com a Unidade de Ciências Comportamentais do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (CINCO) para explorar essa problemática sob a ótica das ciências comportamentais. Entre o final de 2025 e abril de 2026, foi realizado um projeto-piloto que envolveu experimentos práticos com centenas de pequenos empreendimentos, aplicando princípios que buscam entender os processos de decisão em cenários reais.
Os resultados obtidos revelaram a possibilidade de desenvolver políticas públicas mais eficazes sem aumento de custos, sempre fundamentadas no comportamento real das pessoas. As ciências comportamentais integram elementos da psicologia, economia e outros campos para examinar comportamentos como a procrastinação em tarefas essenciais e a forma como a apresentação das informações pode influenciar a disposição das pessoas para agir.
Essa colaboração possibilitou a aplicação desse conhecimento ao universo do empreendedorismo. Um dos principais achados da iniciativa foi que o maior obstáculo para os empreendedores acessarem programas públicos não é a falta de motivação, mas sim a distância entre o que sabem e o que conseguem colocar em prática, considerando suas rotinas corridas e recursos limitados. Assim, soluções simples, entregues pelo canal certo e no momento adequado, podem ajudar a reduzir essa lacuna.
Durante uma maratona online, gestores públicos, pesquisadores, líderes comunitários e especialistas se reuniram para mapear problemas e transformar desafios em perguntas sobre comportamentos específicos. Dessa discussão, surgiram dois desafios principais: apoiar mulheres empreendedoras de comunidades periféricas na organização financeira e facilitar o acesso de microempreendedores individuais (MEIs) às compras públicas.
Como parte do projeto, foi desenvolvido um assistente digital via WhatsApp para auxiliar no planejamento financeiro, o que resultou em um aumento significativo na frequência de registros entre as mulheres. Além disso, foram enviadas mensagens a MEIs que eram elegíveis para a plataforma Contrata+Brasil, com o intuito de aproximá-los das oportunidades de compras públicas.
