
China Refuta Narrativa de Competição Maliciosa em IA
Na Conferência Mundial de IA, Xi Jinping critica ameaças à governança e pede cooperação global para um desenvolvimento seguro da tecnologia.
caption, Xi Jinping at the World AI Conference, which was held in China in July
Xi Jinping participou da Conferência Mundial de IA, realizada na China em julho de 2026. Durante o evento, a China expressou preocupações sobre as chamadas 'narrativas de ameaça' relacionadas à governança da inteligência artificial, alertando contra a 'confrontação e a competição maliciosa'. Essa declaração surge após Dario Amodei, CEO da Anthropic, solicitar uma desaceleração no desenvolvimento da IA, enfatizando que isso não deve permitir que a China avance na corrida tecnológica. Na última semana, especialistas de laboratórios renomados de IA nos EUA emitiram alertas severos sobre os riscos que a IA pode representar, com alguns afirmando que ela poderia até ameaçar a existência da humanidade. Em contrapartida, o presidente dos EUA, Donald Trump, destacou que sua prioridade é garantir que o país desenvolva essa tecnologia mais rapidamente do que a China. O mercado de ações de tecnologia enfrentou uma queda após os apelos por uma desaceleração no desenvolvimento da IA, levantando questões sobre como seria essa 'desaceleração'. Na segunda-feira, Guo Jiakun, porta-voz do ministério das Relações Exteriores da China, afirmou a repórteres que 'narrativas de ameaça, confrontação e competição maliciosa apenas desestabilizam o processo de governança global da IA e não servem a interesse algum'. Ele enfatizou que 'todas as partes devem trabalhar juntas para avançar a IA de forma aberta, inclusiva, benéfica a todos e voltada para o bem comum'. Essas declarações ressaltam as dificuldades em se alcançar um consenso entre as duas potências líderes em IA. Chang Jun Yan, professor assistente do programa de estudos militares da Escola S. Rajaratnam de Estudos Internacionais, em Cingapura, afirmou que um acordo entre os EUA e a China para regular o desenvolvimento da IA é 'quase impossível'. Segundo ele, a cooperação para desacelerar e tornar o desenvolvimento mais seguro em relação à IA é 'muito, muito improvável', dada a importância do tema para a segurança nacional de ambos os países. A inteligência artificial se tornou o cerne da rivalidade entre os EUA e a China, enquanto as duas maiores economias do mundo buscam uma vantagem em tecnologia avançada. Apesar das proibições de exportação dos EUA sobre chips críticos, a inovação em IA na China continua a crescer, impulsionada pela tecnologia de código aberto e pelo apoio de Pequim. Muitos especialistas acreditam que os EUA ainda estão à frente, enquanto as empresas chinesas se esforçam para alcançar esse patamar, enfrentando dificuldades em levantar os bilhões de dólares que os investidores estão aplicando na IA americana. No entanto, líderes como Xi Jinping também têm abordado os riscos associados à IA, afirmando que a China precisa 'equilibrar desenvolvimento e segurança', além de criar e aprimorar leis e diretrizes éticas relevantes, visando proteger os interesses da população e a segurança nacional. O ministro da segurança do Estado, Chen Yixin, alertou sobre os perigos de 'forças hostis', como a inteligência estrangeira, utilizando a IA, e fez um apelo por cooperação internacional. Kenton Thibaut, um renomado especialista do Atlantic Council, observou que há 'sinais fortes de que Washington e Pequim compartilham uma compreensão dos riscos de fronteira'. A China possui 'razões técnicas' para colaborar com os Estados Unidos nesse campo.