China Lança Missão Shenzhou-23: Experimentos Espaciais por um Ano
A missão Shenzhou-23, com três astronautas, busca avançar na pesquisa sobre a vida no espaço e prepara o caminho para a alunagem tripulada até 2030.
No último fim de semana, a China deu um passo importante ao lançar a missão Shenzhou-23, que leva três astronautas a bordo, sendo que um deles ficará um ano no espaço. A nave decolou do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, localizado no deserto de Gobi, no noroeste da China. Os astronautas escolhidos para essa jornada são Zhu Yangzhu, Zhang Zhiyuan e Lai Ka-ying. Durante seu tempo em órbita, eles têm a missão de realizar uma série de experiências, que incluem uma colaboração em órbita com a tripulação da Shenzhou-21, que já está na estação espacial Tiangong há mais de 200 dias. Este lançamento ocorre em um momento em que a China se prepara para a sua primeira alunagem tripulada, prevista até 2030. Um dos astronautas da Shenzhou-23, conforme noticiado pela mídia chinesa, realizará um experimento de um ano em órbita. Vale lembrar que a missão anterior, a Shenzhou-21, já estabeleceu um recorde, com um membro da tripulação passando 204 dias no espaço. Em comparação, o recorde mundial de permanência contínua é de 437 dias, pertencente ao cosmonauta russo Valeri Polyakov. Durante este ano no espaço, a China iniciará um programa pioneiro de pesquisa sobre o corpo humano, com o objetivo de coletar dados de saúde do astronauta. Esses dados são fundamentais para preparar futuras missões mais longas, além de servir para aprimorar os sistemas médicos e de proteção a bordo da nave. O foco dessa missão é investigar a adaptabilidade humana e os limites de desempenho em voos espaciais prolongados. Enquanto estiverem em órbita, os astronautas vão realizar mais de 100 experiências científicas. Uma dessas experiências envolve embriões artificiais, com o intuito de verificar se é possível gerar nova vida no espaço. Para isso, eles utilizarão embriões de peixe-zebra e de rato, criando um sistema de pesquisa embrionária que permitirá avaliar se diferentes espécies, incluindo invertebrados e mamíferos, conseguem se desenvolver em um ambiente espacial. Além disso, os cientistas chineses estão enviando sementes de arroz à estação espacial para estudá-las durante seu cultivo em órbita. O que eles buscam entender é como a vida no espaço impacta as plantas ao longo de várias gerações. Pela primeira vez, está programado o cultivo de duas gerações de arroz integralmente no espaço. A pesquisa visa descobrir se a exposição prolongada à microgravidade pode gerar alterações genéticas no arroz ou afetar sua estabilidade. Os astronautas também realizarão experimentos relacionados à biologia, focando em como a microgravidade influencia o corpo humano, especialmente no que diz respeito ao processamento de gordura nas células do fígado. Essa investigação é crucial, pois pode ajudar na prevenção da doença do fígado gordo durante missões mais longas. Além disso, sementes de plantas serão expostas à radiação do exterior da nave por até cinco meses, permitindo avaliar como a radiação impacta seu crescimento no espaço. E, claro, a tripulação também terá tarefas de apoio, como movimentar carga e realizar caminhadas espaciais durante sua estadia em órbita.


