China Critica Bloqueio Naval dos EUA ao Irã como Perigoso
Pequim classifica ação dos EUA como ameaça à segurança no Estreito de Ormuz e ao acordo de cessar-fogo com o Irã.

A China qualificou o bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos como "irresponsável e perigoso". O ministério das Relações Exteriores de Pequim afirmou que essa ação poderia "comprometer ainda mais o já frágil acordo de cessar-fogo" e colocar em risco a segurança das embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz, uma via crucial que o Irã efetivamente fechou em resposta aos ataques dos EUA e de Israel.
O bloqueio entrou em vigor na segunda-feira, apenas um dia após o colapso das negociações de paz entre os EUA e o Irã, que ocorreram no Paquistão. O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que a medida visa forçar o Irã a desistir de suas ambições nucleares. Por outro lado, analistas sugerem que essa ação também pressiona a China, o maior comprador de petróleo iraniano, a incentivar Teerã a reabrir o estreito.
O embaixador do Irã na ONU classificou o bloqueio como uma "grave violação" da soberania iraniana. Embora poucos navios chineses tenham navegado pelo estreito, não está claro se eles pagaram alguma taxa ao Irã. Esse bloqueio pode ter um impacto significativo na economia da China. Guo Jiakun, porta-voz do ministério das Relações Exteriores da China, enfatizou que um cessar-fogo abrangente é crucial para aliviar as tensões na região e pediu que todas as partes cumprissem os acordos de cessar-fogo e promovesse o diálogo.
Além disso, Guo rejeitou como "completamente fabricadas" as notícias sobre a China fornecer novos sistemas de defesa aérea ao Irã. Trump, por sua vez, ameaçou impor uma tarifa de 50% sobre produtos chineses caso assistência militar fosse oferecida a Teerã, com Guo alertando sobre medidas de retaliação decisivas da China.
Essa situação se desenrola após o vice-presidente dos EUA, JD Vance, acusar o Irã de "terrorismo econômico" por conta do bloqueio no Estreito de Ormuz. Os EUA visam bloquear os portos do Golfo do Irã sem prejudicar o transporte marítimo de outras nações. Contudo, dados de navegação indicam que pelo menos quatro embarcações ligadas ao Irã cruzaram o estreito na terça-feira. Os preços do petróleo caíram abaixo de US$ 100 por barril, e um cessar-fogo frágil se mantém desde 8 de abril, em meio a disputas contínuas sobre o Estreito de Ormuz e a situação do Líbano no acordo.