:quality(85)/60d59c0a-f89b-4b33-a161-1823cf235e5b.png)
China Cria Nova Hollywood com Filmes Produzidos por IA
Investimentos e inovações estão transformando a indústria cinematográfica chinesa, impulsionando produções com inteligência artificial a custos reduzidos.
Reprodução Redes Sociais
A China está dando um passo significativo na transformação da inteligência artificial generativa, posicionando-a como uma nova força na indústria audiovisual. Com um robusto investimento público, uma infraestrutura de computação em expansão e incentivos para empresas, o país busca criar um ecossistema que possibilite a produção em larga escala de filmes e séries utilizando IA. Essa estratégia já começa a atrair cineastas, estúdios e startups, seguindo um modelo que se assemelha ao que foi utilizado anteriormente para impulsionar os setores de veículos elétricos e energia solar.
O que realmente chama a atenção nesse cenário é o custo. De acordo com a emissora estatal CCTV, o custo médio para produzir um minuto de um drama curto com IA era de aproximadamente 5.000 iuanes (cerca de US$ 747). No entanto, no primeiro semestre de 2026, esse valor caiu drasticamente para algumas centenas de iuanes. E isso pode ser ainda mais baixo para produtoras que se beneficiam de incentivos oferecidos pelos governos locais, como computação subsidiada e isenções de aluguel.
Um exemplo que ilustra essa mudança é o caso do estudante de cinema Pan Xiaojun. Ele destaca que uma sequência de casamento que custaria em torno de 60.000 iuanes em uma gravação tradicional pode ser produzida com IA por cerca de 1.400 iuanes. Para aqueles que estão à frente da produção de filmes e séries, essa possibilidade de reduzir custos com equipes, locações e efeitos visuais através de geração digital realmente transforma a lógica de produção.
E é nesse contexto que os investimentos regionais se tornam cruciais. Pequim, por exemplo, mantém um fundo de tecnologia audiovisual de 260 milhões de iuanes, enquanto Xangai oferece acesso a recursos de computação e modelos de IA na nuvem. Shenzhen, por sua vez, aposta em subsídios para aluguel e suporte técnico na área de efeitos visuais. Essas iniciativas têm um objetivo claro: diminuir as barreiras de entrada e atrair empresas e profissionais para um mercado ainda em formação.
As próprias empresas chinesas estão arregaçando as mangas e desenvolvendo ferramentas para esse novo modelo de produção. A ByteDance está trabalhando no Seedance 2.0, enquanto a Kuaishou investe no Kling. Com modelos que conseguem gerar vídeos e uma infraestrutura mais acessível para processá-los, as produtoras podem experimentar formatos que, em uma produção tradicional, seriam caros ou demorados.
Esse incentivo não se limita apenas aos estúdios. A iQIYI, por exemplo, também está oferecendo subsídios para criadores de conteúdo gerado por IA, o que amplia a presença dessas produções nas plataformas digitais. Esse movimento está começando a levar a tecnologia para além dos vídeos curtos das redes sociais, abrindo portas para projetos que têm uma duração e estrutura mais alinhadas às produções cinematográficas.
Nas salas de cinema, a Administração Nacional de Cinema da China acaba de aprovar o lançamento de “Sanxingdui: Future Memories”, um filme de ficção científica com 90 minutos de duração. Esta produção se destaca por ser a primeira obra gerada por IA de um grande estúdio a receber licença para exibição pública no país. Entretanto, essa expansão ocorre em um mercado que já está produzindo conteúdo em uma velocidade impressionante. No primeiro semestre de 2026, mais de 221 mil novas séries de IA foram lançadas no Douyin, embora apenas 1.055 tenham conseguido ultrapassar a barreira do sucesso.


