ChatGPT não pode mais imitar autores famosos: Entenda o porquê
Mudanças no comportamento do ChatGPT revelam restrições na imitação de estilos literários, especialmente de autores vivos, visando evitar conflitos de direitos autorais.

Recentemente, muitos usuários perceberam uma mudança no comportamento do ChatGPT. Agora, quando solicitado a criar textos no estilo de autores famosos, a inteligência artificial da OpenAI não apenas descreve as características distintivas desses escritores, mas também informa que não pode imitar suas vozes. Por exemplo, o site Ars Technica fez um teste pedindo ao ChatGPT que escrevesse a abertura de um conto inspirado em Stephen King. O resultado? O ChatGPT afirmou que poderia incorporar elementos de "horror atmosférico ligado a personagens e cidades pequenas", mas deixou claro que não estava autorizado a replicar o estilo ou a voz do autor.
Além disso, o site No Latency publicou um artigo que explora mais a fundo o tema da inteligência artificial e a imitação literária. O estudo revelou que o ChatGPT se recusa a imitar escritores vivos, mas faz exceções para aqueles que já faleceram. Em uma experiência pessoal, testei a ferramenta com quatro autores – dois brasileiros e dois estrangeiros, incluindo Raphael Montes, Guimarães Rosa, Stephen King e Nikolai Gógol. Para cada um deles, o chatbot começou com uma explicação antes de apresentar o texto gerado. No caso dos autores falecidos, ele costuma dizer que o texto "evoca traços" ou "é inspirado" na obra do autor, mas ressalta que não reproduz a linguagem ou trechos específicos. Em contrapartida, quando se trata de autores vivos, o ChatGPT é mais claro: informa que não pode gerar uma imitação próxima, permitindo apenas evocar características gerais.
Curiosamente, não houve variações nos avisos dependendo da nacionalidade dos autores ou do idioma original de suas obras. O fator decisivo parece ser se o escritor está ou não vivo. Em todos os casos, o texto gerado reflete um estilo que, embora não seja uma cópia exata, permite reconhecer traços da escrita do autor mencionado, como vocabulário, tom e estrutura.
A OpenAI, quando procurada pelo Ars Technica, não se manifestou sobre essa mudança. No entanto, é possível que o ChatGPT tenha recebido novas diretrizes para evitar a cópia do estilo de autores vivos, em um esforço para prevenir possíveis processos por violação de direitos autorais. Vários autores já entraram com ações judiciais contra a OpenAI, alegando que a ferramenta possui a "capacidade perturbadora de gerar textos semelhantes àqueles encontrados em materiais protegidos por copyright". Como o Ars Technica observa, a legislação americana protege apenas expressões textuais concretas, sem incluir estilos de escrita.
Robert Brauneis, professor de direito da Universidade George Washington, aponta que essa tecnologia torna possível imitar estilos individuais de maneira precisa, rápida e a baixo custo. Para ele, isso representa uma ameaça, especialmente para autores menos conhecidos, que podem enfrentar concorrência de obras que imitam seu próprio estilo, colocando em risco a viabilidade financeira de seu trabalho.
A No Latency também investigou se outros chatbots de IA generativa, como o Gemini do Google, seguiram essas novas regras.
