Centrão Discute Mudança no Sistema Eleitoral para Combater Direita
Partidos do Centrão buscam consenso para reformular sistema eleitoral e conter a ascensão do PL nas eleições de 2026.
— Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Os partidos do Centrão estão buscando, ainda este ano, abrir um diálogo sobre a possibilidade de mudar o sistema eleitoral brasileiro. O objetivo é tentar conter a crescente influência de siglas de direita, com destaque para o PL.
Essa discussão se intensificou após os resultados das recentes eleições para a Câmara dos Deputados e o Senado. O partido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) elegeu 121 deputados, a maior bancada desde 1988, o que gerou preocupação entre os demais partidos.
Atualmente, o sistema proporcional permite que cada partido conquiste um número de cadeiras proporcional aos votos que recebe. Isso significa que deputados com votações expressivas, como o caso de Nikolas Ferreira (PL-MG), acabam "puxando" candidatos de outros partidos para o Legislativo, mesmo que estes não tenham obtido tantos votos.
Na última quarta-feira (14), líderes e presidentes de dez partidos se reuniram com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Durante o encontro, além de manifestar apoio à reeleição de Motta na presidência da Casa, também discutiram a proposta de mudar o sistema eleitoral.
Integrantes do Centrão acreditam que o modelo atual fomenta uma espécie de “indústria de candidatos”. Além disso, as lideranças que estiveram na reunião falaram sobre a necessidade de "autosobrevivência" do Centrão, uma vez que o PL vem conquistando cadeiras que antes pertenciam a essas siglas.
Alguns deputados estão defendendo que a discussão sobre essa mudança ocorra ainda nesta legislatura. O argumento é que, a partir de 2027, será ainda mais desafiador alcançar um consenso. Diante de uma bancada ampliada pelo atual sistema, o PL provavelmente resistirá a qualquer alteração.
Contudo, é importante ressaltar que, mesmo dentro do Centrão, não há um consenso claro. Cada partido apresenta um modelo que favorece suas próprias necessidades. Além disso, os presidentes das siglas frequentemente divergem das opiniões dos parlamentares.
Um parlamentar que participou da reunião, falando sob reserva, expressou ceticismo em relação a uma possível mudança: "Não acredito que teremos uma alteração no sistema eleitoral. Cada um tem uma ideia diferente", comentou.
Duas propostas principais estão em pauta nas discussões: o sistema distrital misto e o distritão. O distrital misto, que conta com o apoio de presidentes de partidos, combina dois métodos de escolha dos deputados. Nesse modelo, os estados seriam divididos em "distritos eleitorais", e metade das vagas seria preenchida pelos candidatos mais votados em cada distrito.
A outra metade seria ocupada por meio de listas fechadas elaboradas pelos partidos, onde as siglas definiriam previamente quais candidatos teriam prioridade nas vagas. Um projeto de lei sobre esse assunto já está tramitando na Câmara.
Por outro lado, o distritão, que possui apoio de alguns deputados e do Podemos, transformaria a eleição para a Câmara em um sistema majoritário, semelhante ao do Senado. Nesse modelo, apenas os candidatos mais votados seriam eleitos, eliminando a figura dos "puxadores de votos".
Entretanto, essa proposta enfrenta resistência entre os líderes partidários, já que poderia enfraquecer o poder das siglas e privilegiar candidatos que se destacam nas redes sociais. A mudança nesse sentido seria ainda mais complicada, pois exigiria a alteração por meio de uma proposta de emenda constitucional.