Centrais Sindicais Propondo Ações Contra Aumento de Tarifas dos EUA

Centrais Sindicais Propondo Ações Contra Aumento de Tarifas dos EUA

Entidades entregam propostas ao governo brasileiro para mitigar os impactos do tarifaço dos EUA sobre produtos nacionais, destacando a importância da produção local.

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© Erich Sacco/ Adobe Stock

As centrais sindicais se reuniram nesta sexta-feira, 31 de julho, para apresentar um documento com propostas que visam mitigar os efeitos do aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos sobre diversos produtos brasileiros. O material foi entregue ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa. Nesse documento, as entidades defendem a necessidade de incentivar a produção nacional, aumentar os investimentos públicos, fortalecer o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e proteger os empregos.

Na prática, as centrais expressam sua preocupação com o agravamento da guerra comercial, que se intensificou com as novas medidas protecionistas do governo dos EUA. "Os impactos sobre a economia nacional, os empregos e a soberania produtiva e política do Brasil são múltiplos", destaca o texto. Uma das propostas centrais é que a manutenção dos postos de trabalho seja uma condição para que as empresas possam acessar programas de socorro.

Além disso, as centrais sugerem a busca por novos mercados para os produtos que sofreram tarifas, o estímulo à produção nacional através de compras públicas e políticas de conteúdo local, e um aumento no investimento público em infraestrutura social e produtiva, englobando áreas como transporte, energia, habitação, saúde e educação.

De acordo com as centrais, o Brasil deve aprimorar seu projeto de desenvolvimento, priorizando inclusão e justiça social, e implementando mecanismos de proteção contra a instabilidade externa. "Esse modelo de desenvolvimento deve ser fundamentado na geração e proteção de empregos, no combate à precarização do trabalho e no fortalecimento da capacidade de consumo das famílias, promovendo a valorização da renda do trabalho", afirmam.

O texto também propõe a revisão da Lei de Patentes para combater abusos relacionados à propriedade intelectual, o fortalecimento do Mercosul como um instrumento de integração econômica e desenvolvimento regional, bem como a criação de fundos de compensação e programas de transição para trabalhadores afetados pelo comércio internacional. Além disso, enfatiza a importância de fortalecer a organização sindical para garantir a negociação coletiva nos setores impactados.

Esse documento, assinado por entidades como CUT, Força Sindical, UGT, CTB, CSB e NCST, foi entregue durante uma reunião em São Paulo. As centrais ainda manifestaram apoio às medidas que o Brasil tem adotado em resposta ao tarifaço, além de apoiar a Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional no ano anterior.

Vale lembrar que, na segunda-feira, 27 de julho, o governo brasileiro enviou à Organização Mundial de Comércio (OMC) um documento no qual classifica as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos como "inconsistentes". O Brasil argumenta que essas medidas parecem contrariar as obrigações dos EUA sob o Acordo Geral de Tarifas e Comércio de 1994. Esse acordo estabelece as bases normativas para a aplicação de tarifas entre os membros da OMC. Além disso, o Brasil reivindica que está sendo preterido na relação comercial com os Estados Unidos em comparação a outros países que fazem parte da Organização Mundial do Comércio.

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