Censo Revela: Profissionais de Comunicação são Jovens e Brancos

Estudo recente mostra que 64% dos profissionais de comunicação no Brasil são mulheres, mas a diversidade racial ainda é um desafio a ser enfrentado.

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Censo Revela: Profissionais de Comunicação são Jovens e Brancos
Reprodução Redes Sociais

Data de publicação original: 04/11/2026, 17:10. A indústria da comunicação no Brasil se destaca pela sua força de trabalho, composta em grande parte por mulheres, que representam 64% dos profissionais. Além disso, 66% se identificam como brancos e quase metade deles tem menos de 35 anos. No entanto, essa composição deixa a desejar quando se trata de refletir a diversidade do país. Apesar de as pessoas pretas e pardas representarem 56% da população brasileira, apenas 31% dos profissionais do setor de comunicação pertencem a esses grupos. Nas agências de publicidade, essa porcentagem é ligeiramente maior, atingindo 33%. Esses dados foram revelados na terceira edição do Censo da Diversidade na Indústria da Comunicação, divulgada na quarta-feira, dia 4, pelo Observatório da Diversidade na Comunicação (ODC). O levantamento, realizado em colaboração com o Instituto Quantas, ouviu 2.908 profissionais entre 1º de julho e 8 de setembro de 2026. A pesquisa abrangeu oito segmentos do setor, incluindo agências de publicidade e influência, assessorias de imprensa, produtoras de conteúdo e audiovisual, empresas de mídia exterior, marketing promocional e comunicação interna. A predominância de profissionais brancos se torna ainda mais evidente quando analisamos os cargos de liderança. Enquanto pessoas negras ocupam 38% das funções não executivas, esse número cai para 22% nas gerências, 16% nas diretorias e chega a apenas 9% nos altos escalões, onde estão presidentes, vice-presidentes e sócios. Por outro lado, entre os homens brancos, a situação é oposta: a participação deles aumenta de 20% nas funções não executivas para 50% nos cargos de comando. Quando olhamos para a interseccionalidade de raça e gênero, as disparidades ficam mais claras. As mulheres brancas representam 43% de todos os profissionais da indústria, uma participação quase duas vezes maior do que a sua proporção na população brasileira, que é estimada em 23%. Em contrapartida, os homens negros somam apenas 12% dos trabalhadores do setor, o que corresponde a menos da metade dos 27% registrados na população. As mulheres negras, por sua vez, constituem 19% da força de trabalho na comunicação. Apesar de serem maioria na indústria como um todo, as mulheres enfrentam um desafio significativo à medida que avançam nas hierarquias. Elas ocupam 70% dos cargos de gerência e 62% das diretorias, mas sua participação cai para 46% nos cargos executivos. Entre as mulheres negras, a diferença é ainda mais acentuada: 24% estão nas funções não executivas, mas apenas 5% alcançam os altos cargos. De acordo com Patrícia Alexandre, presidente do ODC e diretora do Sindicato das Agências de Propaganda do Estado de São Paulo (Sinapro-SP), a inclusão de profissionais de grupos historicamente sub-representados muitas vezes não é acompanhada das condições necessárias para garantir sua permanência e crescimento dentro das empresas. "Existem muitos profissionais qualificados à espera de uma oportunidade, mas o preconceito ainda é um obstáculo recorrente. É preciso", ela conclui, enfatizando a necessidade de uma mudança real nesse cenário.

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