
Casas Bahia Entra com Pedido de Recuperação Judicial em 2026
Com uma dívida de R$ 17,3 bilhões, a Casas Bahia enfrenta sua pior crise financeira em mais de 70 anos de história.
Reprodução Redes Sociais
A Casas Bahia, uma das maiores redes de varejo do Brasil, está passando por um momento extremamente desafiador. A empresa solicitou recuperação judicial, enfrentando uma dívida impressionante de R$ 17,3 bilhões, e declarou estar atravessando a "pior crise financeira" desde sua fundação, há mais de 70 anos. Essa situação reflete a fase mais difícil do negócio desde que Samuel Klein, um polonês que chegou ao Brasil em 1952, iniciou suas atividades.
A trajetória da Casas Bahia é marcada por um crescimento significativo, especialmente nas vendas de móveis e produtos da linha branca. A famosa expressão "armário Casas Bahia" é um testemunho do impacto da marca. A companhia sempre teve um foco claro nas classes C, D e E, utilizando estratégias como o pagamento parcelado via crediário para conquistar seus clientes.
Slogans memoráveis, como "Dedicação total a você" e "Quer pagar quanto?", ajudaram a firmar sua presença no mercado. No entanto, a empresa perdeu um pouco do ritmo na era digital, enfrentando desafios como denúncias relacionadas à família Klein e uma crise financeira que exigiu reestruturação.
Vamos dar uma olhada em sua história. Samuel Klein deu o primeiro passo em 1952, vendendo artigos de cama, mesa e banho, especialmente para trabalhadores migrantes nordestinos. A primeira loja foi inaugurada em 1957, em São Caetano do Sul, e a variedade de produtos foi crescendo, incluindo móveis e eletrodomésticos.
Ao longo das décadas, a Casas Bahia expandiu sua atuação, principalmente em São Paulo. O bordão "Dedicação total a você" tornou-se um ícone nos anos 1970 e permaneceu por muito tempo. Foi apenas nos anos 1990 que a empresa começou a se aventurar fora do estado, estabelecendo-se em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
Além disso, enquanto isso, a Pontofrio (Globex), que surgiu em 1946 e foi adquirida pelo Grupo Pão de Açúcar em 2009, também se destacava no setor. Em 2010, as operações da família Klein, incluindo lojas e centros de distribuição, foram integradas à Globex, que, em 2012, foi rebatizada como Via Varejo.
Em 2013, a família Klein reduziu sua participação na empresa ao vender parte de suas ações. Um ano depois, Samuel Klein faleceu aos 91 anos, marcando o fim de uma era. Em 2018, a Cnova, responsável pelas operações digitais, foi integrada à Via Varejo.
Em uma mudança significativa, o Grupo Pão de Açúcar se desvinculou da Via Varejo em 2019, vendendo sua participação em um leilão na Bolsa. Desde então, a companhia passou a operar sem um acionista controlador definido, com o lançamento do banco digital BanQi, em parceria com a Airfox.
Vale destacar que a crise da Casas Bahia pode ser apenas a ponta do iceberg, já que 986 varejistas estão passando por situações semelhantes de recuperação. O ponto aqui é que a história da Casas Bahia, repleta de altos e baixos, nos mostra como o varejo pode ser um campo desafiador, especialmente em tempos de transição.