Carmen Portinho: Pioneira do Feminismo e Urbanismo no Brasil

Descubra como Carmen Portinho lutou pelo voto feminino e transformou a habitação popular no Brasil, deixando um legado duradouro.

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21/09/2026, 05h38 Atualizado 21/09/2026

Carmen Portinho, uma verdadeira pioneira do feminismo no Brasil e a primeira urbanista do país, é lembrada por seu legado significativo na luta pelo direito ao voto feminino e por habitação popular.

Na década de 1920, ela esteve na linha de frente do sufrágio feminino, ao lado de Bertha Lutz. Em 1925, conquistou seu diploma, tornando-se a terceira mulher a se formar em engenharia no Brasil.

Portinho recebeu o título de urbanista em 1936, após apresentar um projeto voltado para Brasília. Em 1945, teve a oportunidade de estagiar na reconstrução de cidades europeias que se recuperavam após a guerra.

Ela também foi fundamental na criação do Departamento de Habitação Popular e idealizou o Conjunto do Pedregulho, no Rio de Janeiro. Em 2022, seu trabalho foi reconhecido com a honraria de patrona do urbanismo brasileiro.

A imagem de Carmen Portinho em frente ao MAM, no Rio de Janeiro, capturada em 1981, revela sua presença marcante na sociedade — Foto: Arquivo Nacional.

Em um tempo em que a aviação despertava olhares curiosos, ela viu uma oportunidade de usar os céus como um meio de promover o voto feminino. Carmen Velasco Portinho (1903-2001), uma das figuras mais proeminentes da luta feminista no Brasil, se destacou por encontrar formas criativas de divulgar essa causa tão urgente.

"Ela chegou a sobrevoar o Rio, soltando panfletos em defesa do sufrágio feminino, em uma época em que havia poucos aviões disponíveis", relata a historiadora Mary Del Priore, autora do livro Sobreviventes e Guerreiras: Uma Breve História da Mulher no Brasil de 1500 a 2000.

Portinho viveu praticamente todo o século 20 e foi uma protagonista das transformações que marcaram o Brasil nesse período.

Junto a figuras como a ativista, bióloga e educadora Bertha Lutz (1894-1976), ela lutou ferozmente pelo direito das mulheres ao voto no Brasil.

Desde jovem, Portinho defendeu a valorização das carreiras profissionais femininas. Como urbanista, passou a considerar a infraestrutura das cidades sob uma perspectiva que priorizava o cuidado, entendendo os desafios que as mulheres enfrentavam ao tentar equilibrar trabalho, responsabilidades como mães e tarefas domésticas.

Seu engajamento começou na adolescência. Nascida em Corumbá, agora Mato Grosso do Sul, ela se mudou com a família para o Rio de Janeiro em 1911, ainda na infância. Na então capital do país, ela se envolveu com um movimento feminista que buscava garantir cidadania plena às mulheres — um objetivo que se tornaria realidade apenas em 1932, quando conquistaram o direito ao voto.

A economista Regina Madalozzo, autora de Iguais e Diferentes - Uma Jornada Pela Economia Feminista, destaca que a luta dessas pioneiras ainda é relevante hoje, especialmente quando discutimos a necessidade de mais mulheres em posições de liderança e poder.

A historiadora Teresa Cristina de Novaes Marques, autora do livro O Voto Feminino no Brasil e professora na Universidade de Brasília (UnB), coloca Portinho entre as figuras históricas "autênticas", que viveram de maneira feminista e buscavam autonomia. "Essas mulheres fizeram política, apoiaram a democracia, votaram sempre e levaram vidas que refletiam suas convicções."

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