Canetas Emagrecedoras: Riscos e Cuidados Essenciais
Entenda os cuidados necessários ao usar canetas emagrecedoras para evitar perda muscular e deficiências nutricionais.
© Cristian Camilo/Divulgação
O uso de medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras tem se mostrado eficaz no combate à obesidade. Contudo, é crucial destacar que esses medicamentos estão associados a deficiências de vitaminas e à perda de massa muscular, especialmente quando não há mudança nos hábitos alimentares e na prática de atividades físicas.
Em entrevista à Agência Brasil, o endocrinologista Marcio Mancini, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e coordenador do Departamento de Farmacoterapia da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), elucidou que esses medicamentos, pertencentes à classe dos agonistas do receptor GLP-1, podem provocar deficiência de micronutrientes e perda excessiva de massa muscular sem acompanhamento adequado.
O efeito intenso na redução do apetite e no atraso do esvaziamento gástrico pode levar os pacientes a diminuírem drasticamente a ingestão de alimentos, resultando em consumo insuficiente de proteínas e vitaminas. Mancini enfatiza a importância de priorizar a densidade nutricional logo no início do tratamento. "O foco deve ser garantir que as pequenas refeições sejam ricas em nutrientes", explica.
Para um melhor aproveitamento do tratamento, o médico recomenda metas de ingestão proteica em torno de 1,2 grama por quilo de peso corporal por dia para jovens saudáveis, enquanto para idosos ou aqueles em risco de sarcopenia, essa meta sobe para 1,5 grama por quilo.
Além disso, ele ressalta a necessidade de monitorar a quantidade de massa magra, que pode ser feita por meio de exames como bioimpedância e densitometria de corpo inteiro. Testes de força muscular, como a preensão manual, ajudam a garantir que a perda de massa muscular não ultrapasse 25% do total de peso perdido.
Mancini também alerta para queixas comuns associadas ao uso dessas canetas sem supervisão, como queda e afinamento dos cabelos, além de sintomas gastrointestinais persistentes, como náuseas, constipação e flatulência.
Para evitar esses problemas, o endocrinologista sugere estratégias comportamentais e dietéticas, e enfatiza a importância de estar atento aos sinais de alerta que podem indicar desnutrição durante o uso desse tipo de medicação.
"É crucial contar com uma equipe multidisciplinar, que inclua endocrinologista, nutricionista e educador físico durante o tratamento", finaliza Mancini.
Amanda Vila Nova, mentora de mulheres, compartilha que sua experiência com as canetas emagrecedoras foi positiva, especialmente pelo acompanhamento de especialistas. "Não tive queda de cabelo nem unhas enfraquecidas, e isso se deve ao acompanhamento e à reposição correta de vitaminas", conclui.
Atualizado há menos de 1 hora
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) emitiu um alerta sobre o uso indevido de canetas emagrecedoras, especialmente em crianças e adolescentes. Segundo a SBP, o uso sem acompanhamento médico pode levar a sérios riscos, como déficit de crescimento, desidratação, pancreatite aguda e transtornos alimentares. A entidade desaconselha o uso para fins estéticos e reforça a importância de produtos com registro sanitário. A SBP também sugere que a expressão 'canetas emagrecedoras' seja substituída por 'medicamentos para tratar a obesidade', para reconhecer a obesidade como uma doença crônica e evitar a banalização do tratamento.
