Candidatos devem se comprometer com direitos da natureza

Candidatos devem se comprometer com direitos da natureza

Articulação Brasileira pelos Direitos da Natureza solicita compromisso dos candidatos nas eleições de 2026 para proteger ecossistemas e justiça socioambiental.

•3 min de leitura•Fonte original

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

A proteção dos ecossistemas e a busca por justiça socioambiental estão no centro das preocupações da Articulação Brasileira pelos Direitos da Natureza, a Mãe Terra. Recentemente, eles enviaram uma carta-compromisso aos candidatos das eleições de 2026, destacando a importância desses temas.

Luiz Felipe Lacerda, secretário executivo do Observatório de Justiça Socioambiental Luciano Mendes de Almeida (Olma), uma das organizações que compõem a articulação, explicou que o objetivo é unir forças para revisar a legislação brasileira, reconhecendo a natureza como um sujeito de direitos fundamentais. Essa entidade é uma rede nacional que luta pelo reconhecimento legal da natureza no Brasil.

“Sem a participação dos legisladores e a colaboração dos executores, torna-se difícil aprovar leis que favoreçam a natureza como sujeito de direitos, além de implementar essas leis na prática,” ressalta Lacerda.

A adesão à carta é voluntária e implica um compromisso público de defender os direitos da natureza caso o candidato seja eleito. Na prática, isso cria uma oportunidade de retomar o contato depois das eleições, possibilitando alianças essenciais para o avanço das propostas legislativas.

Um exemplo relevante é a Proposta de Emenda Constitucional (PEC), que já está sendo discutida no Congresso Nacional, embora ainda precise de mais assinaturas para iniciar sua tramitação. “Essa proposta revisita o Artigo 225 da Constituição Federal, que garante um meio ambiente equilibrado para todos. Ela busca ampliar a compreensão de dignidade, afastando um pouco o foco antropocêntrico da legislação,” explica Lacerda.

O coletivo acredita que essa visão mais abrangente é crucial para preservar a vida no planeta, especialmente diante dos desafios da crise climática. Lacerda enfatiza que esse assunto está intimamente ligado aos direitos dos povos originários, que trazem uma perspectiva de cuidado com o bem comum.

“Não podemos pensar na defesa da natureza como um sujeito de direitos sem considerar a defesa dos territórios, discutir o marco temporal, a mineração em terras indígenas e a extração de petróleo na Amazônia,” afirma.

Para aqueles que desejam apoiar essa causa, a adesão à carta-compromisso pode ser feita através de um formulário disponível na página da articulação.

Desde sua criação em 2020, a Articulação Brasileira pelos Direitos da Natureza - a Mãe Terra já atua na incidência política em favor da natureza como “sujeito de direitos” em quatro eleições. Lacerda menciona que o engajamento de candidatos eleitos tem sido significativo. “Temos uma métrica importante, com cerca de 35 a 40 mandatos que costumam assinar a carta. Algumas figuras políticas já estão envolvidas nesse tema há bastante tempo, enquanto outras são conquistadas ao longo do caminho,” conclui.

Compartilhar: