/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/u/K/4n5LXJTKa8p90X8Bj0Wg/260827-info-violencia-contra-mulher-p1.png)
Candidatos ao Senado de SP ignoram regulação de redes sociais
Propostas para combater a violência contra a mulher não incluem regulação das redes sociais, crucial para enfrentar a misoginia.
Montagem/Reprodução
Nove candidatos ao Senado por São Paulo foram avaliados na pesquisa Datafolha de 21 de agosto. Recentemente, observou-se que nenhum deles inclui a regulação de redes sociais em suas propostas para combater a violência contra a mulher. Esse assunto se tornou cada vez mais relevante, especialmente diante do aumento dos feminicídios e da disseminação de perfis nas redes sociais que promovem a submissão feminina, como influenciadores que compartilham conteúdos Redpill ou tradwife.
Nesta semana, o SP1 conversou com os candidatos melhor posicionados na pesquisa Datafolha de intenção de voto para o Senado. Desses, 9 dos 15 concorrentes participaram e foram questionados sobre suas propostas para enfrentar a violência contra a mulher por meio de leis. Cada candidato teve um tempo limitado de 40 segundos para expor suas ideias de forma geral, o que impossibilitou uma exploração mais profunda de cada proposta (assista às respostas nos vídeos mais abaixo).
Curiosamente, entre os nove candidatos, independentemente do espectro político, nenhum mencionou a necessidade de regular as redes sociais para coibir a propagação da misoginia. As sugestões apresentadas, como o aumento das penas, a criação de delegacias da mulher que funcionem 24 horas e a ampla utilização de tornozeleiras, focam principalmente nas consequências da violência, ou seja, nas ações que ocorrem após a prática do crime.
Bruna Camilo, pesquisadora especializada em gênero e misoginia, argumenta que o combate à violência contra a mulher deve começar pela prevenção. Ela aponta que as empresas de tecnologia se beneficiam de conteúdos misóginos que alimentam o discurso de ódio contra as mulheres, como os chamados 'coaches de masculinidade' que operam em plataformas como o YouTube. 'Precisamos punir de verdade as Big Techs', afirma ela.
Na visão de Bruna, essas plataformas continuam criando algoritmos que disseminam misoginia. Um exemplo recente ocorreu no primeiro semestre, quando vídeos que simulavam o esfaqueamento de garotas que recusassem um pedido de namoro se tornaram virais no TikTok. 'É uma lógica que forma garotos mimados, que não aceitam um não', observa.
Além da regulação, Bruna também defende a conscientização como medida complementar, enfatizando a importância de um 'letramento sobre consentimento'. A propagação de conteúdos que incentivam comportamentos misóginos pode levar a feminicídios, como foi o caso do tenente-coronel da PM que assassinou sua esposa, também policial. Em mensagens trocadas entre eles, o policial Geraldo Neto se autodenominava 'macho alfa' e exigia que ela se comportasse como uma 'fêmea beta obediente e submissa', termos frequentemente encontrados em canais masculinistas.
Bruna, autora do livro 'Machosfera', alerta que enquanto não houver uma política séria de regulação, 'a violência vai continuar acontecendo. Os homens vão continuar se alimentando desse ódio'.