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Canais de Irrigação e o Mito dos Marcianos: Entenda a Origem
Descubra como um erro de tradução no século 19 moldou a visão popular sobre vida em Marte e os famosos 'marcianos'.
Reprodução Redes Sociais
Quando se fala em vida fora da Terra, é comum imaginar seres esverdeados com grandes olhos vagando pelo Planeta Vermelho. Mas você já se questionou sobre a origem dessa ideia? Tudo começou em 1877, quando o astrônomo italiano Giovanni Schiaparelli decidiu mapear a superfície de Marte e se deparou com algo intrigante. Durante suas observações, ele notou que o planeta parecia coberto por contornos geométricos, com linhas longas, retas e, por que não, misteriosas. Na época, ele se referiu a essas formações como “canali”, um termo em italiano que, em inglês, acabou sendo mal traduzido para “channels” ou canais.
Passados 15 anos, o norte-americano Percival Lowell chegou a uma conclusão similar. Embora fosse um amador, ele contatou dois astrônomos da Universidade de Harvard e adquiriu os instrumentos necessários para observar Marte de perto. Em 1895, Lowell estava convencido de que aquelas linhas na superfície marciana pertenciam a um sistema de irrigação extremamente sofisticado. Ele acreditava que esse sistema poderia abastecer oásis, que, por sua vez, irrigariam plantações de habitantes do planeta. Embora as observações de Schiaparelli não tenham sido convincentes quanto à presença de vida inteligente, geraram alvoroço na imprensa. O episódio foi lembrado no livro do jornalista David Baron, que destacou que, naquela época, o termo “marcianos” ainda não era comum.
Com o passar do tempo, Marte e os “marcianos” tornaram-se verdadeiros ícones, tanto na publicidade quanto na cultura pop. Quem não se recorda de “Guerra dos Mundos”, que retrata uma invasão marciana fictícia na Terra? Curiosamente, mesmo nesse cenário, a ideia de vida em Marte ainda não tinha grande respaldo. Lowell e seus colegas continuaram a apresentar novas “evidências” sobre os supostos canais de irrigação, e a situação tomou um rumo mais sério — a ponto de o tradicional jornal New York Times publicar um perfil de Lowell com o provocativo título “Há vida no planeta Marte”.
Seria injusto descartar as afirmações de Lowell, pois ele realmente acreditava no que dizia. Ao longo do tempo, no entanto, tanto ele quanto Schiaparelli tiveram suas teorias desacreditadas. Hoje, a ciência conta com a astrobiologia, uma área dedicada ao estudo da origem, evolução e distribuição da vida no universo. Cientistas da NASA e de outras agências espaciais continuam a investigar a possibilidade de vida em Marte, mas, na prática, não esperam encontrar nenhum ser vivo atualmente. O foco agora é buscar indícios de formas de vida que possam ter existido no passado, quando Marte era mais quente e apresentava água. E você, já parou para pensar no que os cientistas diriam se realmente encontrassem vida extraterrestre?
