Canadá Rejeita Taxa de Carbono da UE e Fortalece Parceria Energética

A ministra canadense destaca a importância do preço do carbono, mas hesita em apoiar a taxa da UE, impactando a cooperação energética.

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A ministra canadense do Clima e do Ambiente, Julia Dabrusin, enfatizou a relevância da fixação de preços do carbono para a indústria, destacando que essa estratégia pode ser uma ferramenta eficaz para a redução das emissões de CO2 e para proteger as empresas de concorrência desleal. Contudo, Dabrusin não se comprometeu claramente a apoiar a taxa de carbono fronteiriça da União Europeia (UE).

"Estabelecer um preço para o carbono na indústria é fundamental em uma economia de baixo carbono, que é o caminho que o mundo está seguindo. Contudo, precisamos discutir essas questões; há muitas conversas ainda a serem realizadas", comentou Dabrusin em entrevista à Euronews.

A hesitação em apoiar a taxa carbónica fronteiriça da UE, conhecida como Mecanismo de Ajustamento Carbónico Fronteiriço (CBAM), pode sinalizar limites para uma parceria energética em desenvolvimento entre Bruxelas e Ottawa. Este tema foi destacado na cimeira de Montreal, realizada entre os dias 29 e 30 de outubro.

Quando questionada sobre a disposição do Canadá em apoiar o CBAM, que entrou em vigor em janeiro de 2026 e impõe custos de carbono sobre algumas importações, Dabrusin não forneceu uma resposta afirmativa. Sua relutância em firmar um compromisso com a UE em relação à política climática reflete a busca de Ottawa por uma isenção da taxa do bloco, conforme um documento interno de dezembro de 2025 consultado pela Euronews.

"O Canadá continua a buscar um acordo prático com a UE para minimizar a carga administrativa do CBAM sobre os exportadores canadenses, e o representante pessoal do primeiro-ministro na União Europeia está totalmente engajado nesse processo", afirma o documento dos ministérios do Comércio e dos Negócios Estrangeiros do Canadá.

Em coletiva de imprensa no dia 30 de outubro, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, mencionou que "diversas questões comerciais que estavam emergindo" foram discutidas, embora sem detalhes específicos. "Estamos colaborando para encontrar soluções comuns em relação ao CBAM e outras questões comerciais", disse Carney aos jornalistas.

O primeiro-ministro tem buscado diversificar as relações comerciais do Canadá, reduzindo a dependência dos Estados Unidos, o que torna o acesso ao mercado da UE cada vez mais crucial. No entanto, o documento canadense aponta o CBAM como um possível obstáculo para a expansão das exportações para a Europa, especialmente em setores como alumínio, aço, minerais críticos e hidrogênio.

"As exportações canadenses não estão isentas do CBAM, e os exportadores enfrentarão encargos de carbono e exigências administrativas complexas, que podem gerar riscos de acesso ao mercado e desafios de competitividade na UE", destaca o documento. Segundo o relatório, o Canadá não atende aos critérios para receber uma isenção, mesmo considerando as políticas de fixação de preços do carbono já implementadas e a estreita relação comercial com a UE estabelecida pelo Acordo Económico e Comercial.

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